Nasa/Divulgação
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Moléculas orgânicas descobertas em mais um planeta distante

Planeta é considerado inabitável, mas descoberta testa técnicas que um dia poderão encontrar vida

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

21 Outubro 2009 | 17h05

Pela segunda vez, astrônomos detectaram moléculas básicas da vida na atmosfera de um planeta gigante gasoso, fora do Sistema Solar. Essa descoberta, realizada por cientistas da Nasa, se segue ao anúncio, feito por pesquisadores europeus, de que 32 novos planetas foram encontrados ao redor de outras estrelas, e da descoberta de sinais de moléculas orgânicas em um planeta-anão do nosso Sistema Solar.

 

Descobertos 32 novos planetas fora do Sistema Solar

Astrônomos acham sinal de matéria orgânica em planeta-anão

Cientistas apontam superfície rochosa em 'super-Terra'

 

"O Universo não está nos provocando", disse um dos autores da descoberta mais recente, Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Nasa, referindo-se ao acúmulo de descobertas de matéria orgânica em outros mundos - mas sem, ainda, um sinal claro de vida extraterrestre.

 

"Um sinal claro de vida requer, primeiro, um planeta onde possa haver vida; a detecção de moléculas relacionadas a processos biológicos; e evidência de que a abundância dessas moléculas requer atividade biológica", explica. "Nós apenas não fomos capazes, ainda, de satisfazer a todos os três critérios".

 

O planeta onde foi detectada a presença de água, metano e dióxido de carbono - "essas foram moléculas  que detectamos até agora, talvez no futuro encontremos mais", diz Swan - falha logo no primeiro critério: chamado HD 209458b, esse mundo é um "Júpiter quente", um gigante gasoso que orbita muito perto de sua estrela, a um oitavo da distância que separa Mercúrio do Sol, na constelação de Pégaso, a 150 anos-luz da Terra.

 

Segundo nota divulgada pela Nasa, a eventual descoberta do mesmo tipo de molécula, na atmosfera de um planeta mais parecido com a Terra, poderia indicar a presença de vida. Atualmente, as missões Corot, europeia - com participação brasileira - e Kepler, da Nasa, vasculham o espaço em busca desse tipo de planeta.

 

A estrela em torno da qual HD 209458b gira é semelhante ao Sol. A descoberta da matéria orgânica foi feita com o uso dos telescópios espaciais Spitzer e Hubble. O Hubble detectou as moléculas e o Spitzer calculou suas abundâncias.

 

O primeiro planeta extrassolar onde houve descoberta de matéria orgânica foi HD 189733b, outro Júpiter quente. O anúncio foi feito em dezembro do ano passado. Agora, os cientistas poderão começar a comparar os dados dos dois mundos. Segundo Swain, esse tipo de trabalho abre caminho para as análises que, um dia, poderão revelar vida fora da Terra.

 

Para obter prova incontestável de vida, diz ele, é preciso fazer medições muito precisas da abundância de moléculas relacionadas à biologia. "Isso tem de ser feito com precisão suficiente para permitir descartar processos não biológicos". Os resultados sobre HD 209458b estão publicados no periódico científico  Astrophysical Journal.

 

Novos planetas e planeta-anão

 

Na segunda-feira, 19, cientistas do Observatório Europeu Meridional (ESO) anunciaram a descoberta de 32 planetas fora do Sistema Solar, incluindo alguns pequenos o suficiente para serem rochosos, embora ainda muito maiores que a Terra.

 

Em setembro, outra equipe europeia havia anunciado possíveis sinais de matéria orgânica em Haumea, um planeta-anão do Sistema Solar, que orbita o Sol a uma distância cerca de 50 vezes maior que a da Terra, para além das órbitas de Netuno e Plutão.

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