Morador de Juréia se considera perseguido

Com cerca de 200 moradores, Barra do Una é uma vila de pescadores descoberta pelos turistas. Ligada ao município de Peruíbe, conta com uma infra-estrutura razoável, que inclui telefone e quatro ônibus diários. Casa de veraneio para alugar em Barra do Una. Foto: Beto Barata/AEDono do camping e restaurante Novo Horizonte, o baiano Edson dos Santos Carvalho é morador do local há 25 anos. Velho conhecido dos funcionários da Estação Ecológica da Juréia, é um especialista em burlar as restrições impostas pela reserva."Desde que chegou o meio ambiente, não podemos fazer nada. Antes, no inverno, quando o restaurante fica fechado, podia fazer uns biquinhos em obras para ganhar dinheiro, mas faz uns dez anos que não se pode fazer mais nada. Teve tempo que caminhão com material de construção passava, pois a fiscalização não fiscalizava muito, mas agora tem casa caindo de podre. Não tem um palmito no mato, mas batem mesmo é na construção", diz.Para ele, que é casado com uma moradora tradicional (cuja família está há várias gerações no local), as proibições não deveriam vigorar para quem já está no local, mesmo para os veranistas. "As casas mais novas são do pessoal de fora, mas alguns nos dão os quintais para limpar, o que representa ganho para os nativos." Edson dos Santos Carvalho, em frente à sua casa em Barra do Una: drible na fiscalização para ampliar o restaurante. Foto: Beto Barata/AECarvalho se considera perseguido. "Várias vezes fui embargado. Depois de cinco anos pedindo autorização para reformar minha casa, sem sucesso, consegui um dinheirinho para a obra. Quando já tinha terminado a casa, fui intimado a ir à delegacia em Peruíbe . Agora, vou ter que ir ao Fórum, que fica em Registro e lá vou eu, novamente, gastar dinheiro de condução", reclama.Entre idas e vindas à delegacia e ao Fórum, o morador ergueu o pé direito, fez um segundo andar para morar e ampliou o restaurante na parte de baixo. Apesar do acesso à uma estação ecológica não ser legalmente permitido, não há cancela na estrada que leva à Barra do Una, mesmo passando pelo posto de monitoramento do Perequê. Segundo os funcionários, não há guardas-parque suficientes para manter um controle por 24 horas.

Agencia Estado,

17 de novembro de 2002 | 23h27

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