Moradores de área contaminada serão removidos

Os moradores da Favela Paraguai, na Vila Prudente, zona leste, serão removidos para um conjunto residencial da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) que fica pronto no fim de junho. O terreno onde está a favela foi um lixão industrial há mais de dez anos e está contaminado por metano e substâncias como benzeno, manganês e ferro. Hoje, a área pertence à Sabesp, responsável por transferir as 450 famílias. Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente, José Goldemberg, a saúde dos moradores não está em risco. "A área está contaminada, mas não é perigosa, não vai explodir", disse ontem. "Não está escapando metano em quantidades que ameacem uma explosão nem compostos voláteis que provoquem riscos à saúde." Goldemberg frisou que só haveria contato com as substâncias tóxicas se a população fizesse buracos no solo. De acordo com o assessor técnico da presidência da Cetesb Elton Gloeden os resíduos estão a um metro da superfície em alguns pontos. Ele não descarta a possibilidade de os moradores já terem feito perfurações. "Pode ter acontecido. É uma área onde não temos controle." A contaminação foi descoberta quando a Prefeitura decidiu construir habitações populares no local. Em 1999, um laudo foi pedido à Cetesb, que detectou o metano. Mais tarde, foram encontrados hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, como benzopireno e naftaleno. Depois que os moradores forem removidos, os resíduos - cerca de 15 milhões de litros, que encheriam 700 caminhões - vão ser levados para um aterro. O processo de limpeza deve durar sete meses e meio só na área mais afetada, onde há uma creche que atende 300 crianças. Segundo o diretor de controle de poluição ambiental da Cetesb, Fernando Rei, o custo total da limpeza deve ficar entre R$ 2 e 3 milhões. Após o processo, o local vai ser interditado e poderá virar um parque. Ontem, muitos moradores diziam não saber que o local estava contaminado. Alguns até duvidavam. "Estou achando que isso não é verdade, não. Nunca aconteceu nada, ninguém ficou doente. Faz 11 anos que moro aqui e meus filhos são todos saudáveis", disse a diarista Quitéria Joana de Lima, de 43 anos. Quitéria deixa o neto, Alique, de 2 anos e 6 meses, na creche Esperança, que está num dos locais mais afetados. "Vou continuar deixando ele lá e quero conseguir vaga para minha neta."

Agencia Estado,

06 de maio de 2003 | 11h31

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