Cristóbal García/ EFE
Cristóbal García/ EFE

Morre Alexei Leonov, 1º cosmonauta a realizar uma caminhada espacial

Ele se tornou o 11º cosmonauta - como são chamados os astronautas em russo - da URSS e foi duas vezes condecorado com o título de Herói da União Soviética, a mais alta distinção soviética

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 15h25

MOSCOU - O cosmonauta soviético Alexei Leonov, o primeiro homem a realizar uma caminhada espacial, morreu nesta sexta-feira, 11, aos 85 anos, em consequência de uma longa doença, informou o canal de televisão russo "Rossiya 24".

Leonov se tornou o 11º cosmonauta - como são chamados os astronautas em russo - da URSS e foi duas vezes condecorado com o título de Herói da União Soviética, a mais alta distinção soviética.

"Alexei morreu no Hospital Burdenko, situado em Moscou e pertencente ao Ministério da Defesa da Rússia, após uma longa doença", afirmou a assistente pessoal de Leonov, Natalia Filimonova, em entrevista à agência oficial russa "TASS".

A porta-voz acrescentou que o Leonov será enterrado no dia 15 de outubro no Cemitério Militar Federal da cidade de Mytishchi, na região de Moscou.

Em 18 de março de 1965, Alexei Leonov foi o primeiro homem a "dar um passo rumo ao desconhecido e ficou frente a frente com o espaço ilimitado", expressou a agência espacial russa, Roscosmos, em comunicado.

Leonov fez a primeira caminhada espacial da Voskhod 2. Com o traje espacial, ficou fora da nave durante 12 minutos e nove segundos, unido a ela por uma correia de 5,35 metros.

A caminhada começou quando a Voskhod 2 sobrevoava o Mar Negro e Leonov, "disparado como uma rolha, começou a 'leonovizar'", termo inventado a partir do seu sobrenome e que descreve o estado do homem quando se encontra no espaço sideral.

A partir daí começaram os problemas, o pior deles relacionado a um aumento da pressão no traje espacial de Leonov, que aumentou consideravelmente as suas dimensões.

Seguindo as instruções, ele tentou inicialmente entrar pela escotilha com as pernas para a frente, mas ficou preso na altura das coxas porque o traje espacial estava inflado.

A situação foi crítica: Leonov, dentro do traje, não conseguia utilizar as mãos, as reservas de oxigênio duravam apenas meia hora e restavam cinco minutos para que a nave voasse pela parte escura da Terra, ou seja, permaneceria quase uma hora na mais absoluta escuridão.

"Sem consultar ninguém, reduzi quase o dobro da pressão, as coisas mais ou menos voltaram ao seus lugares, agarrei as pontas da escotilha e entrei de cabeça", comentou, anos depois, à imprensa.

Segundo relatou, os problemas também ocorreram no retorno porque a escotilha não foi hermeticamente fechada, o sistema de defesa automático não funcionou e os astronautas, ao realizarem a descida com os comandos manuais, aterrissaram em um lugar muito longe da região prevista. 

O presidente russo Vladimir Putin lamentou a morte de Leónov, já que mantinha uma relação estreita com o cosmonauta, de acordo com o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

"Eles se conheciam muito bem, Putin respeitava profundamente Leónov e eles conversaram várias vezes. Putin sempre ele admirava a coragem de Leonov, a quem ele considerava um homem excepcional ", disse ele.

O diretor da agência espacial russa, Roscosmos, Dmitri Rogozin chamou Leónov de uma "verdadeira lenda" da cosmonáutica russa.

Ele era "membro do primeiro destacamento de cosmonautas, a primeira pessoa a realizar uma caminhada espacial e participante do primeiro acoplamento internacional de navios (soviético e americano) Soyuz-Apollo, que abriu o caminho para uma ampla cooperação internacional no espaço", afirmou.

Por sua parte, o cosmonauta russo Oleg Kononeko se referiu a Leónov como um homem de "espírito amplo, capaz de ouvir tudo, aconselhar e ajudar".

Quando Leónov comemorou seu 85º aniversário em 30 de maio, Kononenko, que estava na Estação Espacial Internacional(EEI), juntamente com o cosmonauta Alexéi Ovchinin, dedicaram uma caminhada espacial para seu ex-colega.

Canais de TV russos transmitiram nesta sexta-feira programas e documentários dedicados ao famoso cosmonauta. / EFE

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