Morre ambientalista que ateou fogo ao corpo

Depois de quase 24 horas de agonia, morreu hoje na Santa Casa de Campo Grande o ambientalista Francisco Anselmo de Barros, 65 anos. Por volta de 11h30m do sábado ele colocou dois colchonetes no chão, enrolando-os ao corpo, espalhou gasolina e ateou fogo.O gesto radical foi um protesto contra a instalação de usinas de álcool e açúcar na Bacia do Alto Paraguai, região pantaneira de Mato Grosso do Sul, executado durante uma manifestação de ecologistas e estudantes no centro de Campo Grande. Ele era presidente da Fuconams (Fundação para Conservação da Natureza de Mato Grosso do Sul), e teve 100% de queimaduras no corpo.A Fuconams, fundada por Anselmo Barros, é uma das primeiras entidades de defesa do meio ambiente do País. Ele também foi jornalista, ocupou cargos no Conselho Municipal de Controle Ambiental, foi membro da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo, da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, diretor executivo da Editora Saber Ltda, diretor executivo da Associação de Fomento e Apoio às Artes e a Cultura em Geral.Ele era filiado ao Fórum Brasileiro de ONGs, à Associação Brasileira de ONGs e participante da Rede Rios Vivos, Rede Pantanal, Rede Aguapé de Educação Ambiental, Rede Cerrado, Instituto Socioambiental, W.W.F., Conservation International e SOS Mata Atlântica, coordenador do Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e de Fórum de Defesa do Pantanal.VotaçãoO projeto de lei que permite a implantação de destilaria no Pantanal do MS é o 170/05, proposto para aprovação dos deputados, pelo governador José Orcírio Miranda dos Santos. Será votado nesta semana, depois da realização de três audiências pública sobre o assunto. A última, que teve a participação de Barros, ocorreu na quarta-feira passada (9), quando o presidente da CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) da Casa, deputado Onevan de Matos (PDT) adiantou que na CCJR o projeto não será aprovado.A proposta contraria a resolução 001/85 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente), que suspende a concessão de licenças ambientais para usinas nas bacias hidrográficas sob influência do Pantanal. O projeto do Executivo fere ainda a Lei Nacional de Recursos Hídricos (nº. 9.433/97), que estabelece diretrizes para gestão dos recursos hídricos no Brasil.O governador defende o projeto de leite, argumentando que existem tecnologias avançadas para evitar danos ao meio ambiente e que a medida permitirá a geração de emprego e renda em nove municípios da região.

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