Morre biólogo responsável por estudos sobre mitocôndrias

Giuseppe Attardi, 84 anos, estudou a relação entre mutações nas mitocôndrias e o envelhecimento humano

The New York Times

05 de maio de 2008 | 15h13

Morreu nesta segunda-feira, 5, em Altadena, Califórnia, Dr. Giuseppe Attardi, de 84 anos, biólogo molecular cujos estudos sobre mitocôndrias, organela celular responsável pela produção de energia dentro das células, ajudaram a explicar como as células crescem e se deterioram com a idade.  Em seu trabalho, iniciado na década de 1960 no Instituto de Tecnologia da Califórnia, Attardi investigou a função e a composição das mitocôndrias.  Nas primeiras pesquisas, ele e outros pesquisadores observaram que a mitocôndrias podiam sintetizar proteínas em um processo similar ao das bactérias. Trabalhando em uma observação feita por outros cientistas de que a mitocôndria contém DNA, assim como qualquer núcleo celular, Attardi ajudou a investigar o genoma mitocondrial e como esses genes se expressam. Esse trabalho se tornou a base dos seus amplamente reconhecidos estudos sobre como mutações genéticas afetam a produtividade das mitocôndrias e podem resultar no declínio e envelhecimento das células.  David B. Finkelstein, um biólogo molecular e diretor do Programa de Regulação Metabólica no Instituto Nacional do Envelhecimento, disse que Attardi fez uma "observação muito básica e importante" que estabeleceu questões primárias sobre "o que acontece à integridade de cada célula." Em 1999, resultados de suas pesquisas, publicados no jornal científico Science, revelaram que dois terços das células de pessoas acima dos 65 anos apresentavam mutações genéticas em suas mitocôndrias, enquanto as células das pessoas abaixo dos 65 anos tinham mitocôndrias sem mutações, sugerindo uma ligação entre essas mutações e o processo de envelhecimento.  Attardi estudo, ainda, a ligação entre mutações nas mitocôndrias e doenças musculares e neurológicas. Giuseppe Maria Attardi nasceu em Vicari, Itália, e se naturalizou norte-americano em 1985. Ele deixou sua mulher, Anne Chomyn, uma filha, um filho e um neto.

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