Morre cientista que fez primeiro estudo sobre efeito estufa

O cientista norte-americano Charles David Keeling, que fez os primeiros estudos sobre o aquecimento global, morreu aos 77 anos. Segundo o Centro de Pesquisas de Oceanografia Scripps, onde Keeling trabalhou por quase toda a vida profissional, o pesquisador morreu na segunda-feira, quando sofreu um enfarte.Ele foi o primeiro pesquisador a apontar, nos anos 50, um aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, desde o início da industrialização do mundo. Depois, aprofundou os estudos sobre o efeito estufa e as mudanças climáticas.Os dados apurados por Keeling são "os mais importantes que existem sobre o meio ambiente no século 20", disse son, o diretor do Centro Scripps, Charles Kennel.No início de sua carreira, o pesquisador desenvolveu o primeiro sistema de medição da concentração de CO2 na atmosfera, quando ainda se especulava sobre a possibilidade de existir ou não esta concentração.As primeiras medições feitas por ele permitiram comparar a presença do dióxido de carbono na atmosfera com o CO2 presente nas capas de gelo desde o século 19, e Keeling constatou uma taxa muito acima dos 280 ppm (partes por milhão) nos anos 50.Em 1957, a concentração de dióxido de carbono sobre o vulcão Maua Loa, no Havaí, estava em 315 ppm. Atualmente, a taxa está acima dos 380 ppm.Respeitado no mundo todo, Keeling representa um pensamento que o governo conservador de George W. Bush rejeita, ao refutar os alertas científicos sobre os riscos do aquecimento global. Ainda assim, Bush deu a Keeling em 2002 a Medalha Nacional das Ciências, a maior condecoração dos Estados Unidos a um cientista.  mudanças climáticas

Agencia Estado,

24 de junho de 2005 | 13h08

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