Arthur Prado/Portal dos Fármacos/Faperj/Divulgação
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Morre cientista Sergio Henrique Ferreira, aos 81 anos

Médico e farmacologista, ele foi o descobridor de molécula no veneno da jararaca que levou ao principal remédio usado contra hipertensão no mundo

O Estado de S. Paulo

19 Julho 2016 | 12h58

RIBEIRÃO PRETO - Conhecido como um dos principais cientistas do Brasil,  um dos primeiros a transformar um produto descoberto na natureza em medicamento vendido em larga escala, o médico e cientista Sergio Henrique Ferreira morreu no domingo, 17, aos 81 anos.

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foi como pesquisador na mesma instituição que ele descobriu, na década de 1960, investigando o veneno da jararaca, o chamado fator de potencialização da braticinina (BPF, na sigla em inglês), que se transformaria no medicamento mundialmente mais utilizado até hoje contra a hipertensão, o captopril. 

A molécula bradicinina havia sido isolada do veneno da cobra ainda em 1948 pelo farmacologista brasileiro Maurício Rocha e Silva, que depois seria orientador de Ferreira em seu doutorado. Mas foi o fator de potencialização que permitiu o desenvolvimento do remédio. 

O trabalho foi publicado em 1965 no British Journal of Pharmacology e, por ele, Ferreira e dois cientistas da Bristol Myers Squibb Farmacêutica receberam da American Heart Association, em 1983, o Prêmio Ciba Award For Hypertension Research, o primeiro de muitos outros que viriam na sua carreira.

Durante o regime militar, Ferreira e a mulher, Maria Clotilde Rossetti Ferreira, exilaram-se na Inglaterra, onde ele fez dois pós-doutorados no Royal College of Surgeons. Lá trabalhou com o bioquímico John Vane em pesquisas sobre analgésicos anti-inflamatórios, entre eles a aspirina, que renderam a Vane o Nobel de Medicina em 1982. No discurso de agradecimento ao prêmio,  o inglês citou várias vezes o pesquisador brasileiro.

De volta ao Brasil, Ferreira continuou trabalhando com analgésicos e descobriu o mecanismo de ação periférica da dipirona e propôs o desenvolvimento de drogas opiáceas de ação periférica. Esses trabalhos lhe renderam, em 1990, o prêmio Scientific Merit Award, concedido pela Interamerican Society for Clinical Pharmacology and Therapeutics.

Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em dois momentos, entre 1995 e 1999. De acordo com a instituição, ele orientou mais de 20 teses de doutorado e teve mais de 300 artigos publicados em periódicos científicos. Recebeu, em 1990 e 1992, o prêmio da Academia de Ciências do Terceiro Mundo. Também recebeu a Ordem Nacional do Mérito Científico, na classe da Grã-Cruz, em 1996, e o primeiro prêmio por excelência em pesquisa sobre a dor e gerenciamento em países em desenvolvimento, da Associação Internacional de Estudos sobre a Dor, em 2005.

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