Morre físico que ajudou a explicar a origem dos elementos

Além de trabalhar na equação da fusão do hélio, Edwin Salpeter previu os raios X emanados de buracos negros

AP

28 de novembro de 2008 | 18h15

O astrofísico austríaco Edwin E. Salpeter, conhecido por seus estudos sobre as reações nucleares no interior das estrelas, incluindo a equação Salpeter-Bethe sobre como o hélio se converte em carbono, morreu na terça-feira, aos 83 anos. O Falecimento só foi divulgado nesta sexta. Ele sofria de leucemia. Salpeter se mudou para os Estados Unidos em 1949 e fez carreira lá. Embora tenha se aposentado em 1997, continuava a publicar trabalhos científicos e a investigar novos campos de estudo, como a epidemiologia da tuberculose.   O cientista era admirado por sua capacidade de visualizar conceitos teóricos abstratos. ele descrevia o próprio cérebro como "rápido, mas preguiçoso", ao afirmar que preferia o desafio de novos problemas teóricos à execução de cálculos detalhados.    Juntamente com Hans Bethe, um físico que ganhou o Nobel em 1967, Salpeter apresentou uma equação, em 1951, que mostrava como núcleos de hélio se fundem para formar carbono, no interior de estrelas envelhecidas. Até então, a origem dos elementos mais pesados que o hélio era um mistério.   Em 1964, trabalhando de forma independente, Salpeter e o soviético Yakov Zeldovich propuseram que um fluxo de gás caindo em um buraco negro poderia aquecer-se o suficiente para emitir raios X. Trinta anos mais tardem, quando o Telescópio Espacial Hubble confirmou a idéia, ele disse: "É bom finalmente ganhar a aposta".   Em 1997, Salpeter e o britânico Fred Hoyle dividiram os US$ 500 mil do Prêmio Crafoord, da Real Academia Sueca de Ciências, por "suas contribuições pioneiras envolvendo o estudo de reações nucleares em estrelas e desenvolvimento estelar". O prêmio é concedido anualmente para cobrir avanços científicos que não são contemplados pelo Nobel, concedido pela mesma academia.   Num estágio avançado da carreira, Salpeter e a mulher, a médica Miriam Salpeter, contribuíram com o estudo de problemas musculares, como a miastenia. Miriam morreu em 2000, aos 71 anos. Salpeter deixa a mulher, Lhamo; duas filhas e quatro netos.

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