Morre o conservacionista Márcio Ayres

Faleceu às 19 horas da última sexta-feira, em Nova York, Estados Unidos, o pesquisador e conservacionista José Márcio Ayres, vítima de um câncer, que iniciou no pulmão. A doença havia sido diagnosticada há 17 meses e Ayres estava licenciado do Museu Emílio Goeldi para o tratamento, no Hospital Monte Sinai. O corpo será transladado para o Brasil na próxima quarta-feira, dia 12, e o sepultamento será em Belém, no Pará, no dia 13. Márcio Ayres tinha 49 anos, era casado e deixa dois filhos.O conservacionista ficou internacionalmente conhecido como o idealizador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), a primeira reserva amazônica a produzir resultados econômicos significativos, unindo pesquisa e preservação ambiental. Localizada no município de Tefé, no Amazonas, a reserva foi criada em 1990 e tem 1,124 milhão de hectares, boa parte dos quais permanecem inundados durante mais de seis meses por ano. Em Mamirauá, vivem 6 mil habitantes e 180 cientistas e tem sido especialmente bem-sucedidas as iniciativas de manejo participativo, com o desenvolvimento e comercialização de produtos extrativistas e agrícolas. Destaca-se, por exemplo, o projeto de restabelecimento da população de pirarucus, o maior peixe amazônico, comercializado de forma racional na reserva, enquanto é dizimado pela pesca predatória em outros rios amazônicos. Também são modelos, o manejo racional de madeira, extraída da várzea pelos ribeirinhos, e a infra-estrutura ali implantada para o ecoturismo, testada em duas ocasiões, por Fernando Henrique Cardoso, enquanto Presidente da República. Além de ser responsável pela implantação da Reserva de Mamirauá, Márcio Ayres lutou pela criação, em área contígua, da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, efetivamente constituída em 1998, com 2,35 milhões de hectares. Junto com o Parque Nacional do Jaú, as duas reservas formam um vasto corredor ecológico, de mais de 5,7 milhões de hectares.No Museu Emílio Goeldi, de Belém, José Márcio Ayres destacou-se por seu trabalho com os macacos uacaris, em especial o uacari de cabeça branca (Cacajao calvus calvus), nativo da região de Mamirauá. Também foi responsável pela descoberta ou identificação de algumas espécies novas, juntamente com outros pesquisadores, entre as quais está, por exemplo, o sauim-de-maués (Mico mauesi).Márcio Ayres recebeu diversos prêmios, nacionais e internacionais, como a Medalha Duque de Edimburgo de Conservação, entregue pessoalmente pelo Príncipe Philip, do Reino Unido, em 1992. No ano passado, foi homenageado com o prêmio da Sociedade de Biologia da Conservação (SCB) e o Rolex Award for Enterprise.Ele ainda é um dos autores do livro Grandes Áreas Naturais: as Últimas Áreas Silvestres da Terra, organizado pela Conservation International e Agrupación Sierra Madre, lançado em dezembro de 2002, em Washington, e com lançamento no Brasil previsto para o próximo dia 20.

Agencia Estado,

10 de março de 2003 | 10h24

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