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Morte de Dolly reabre polêmica sobre clonagem

A ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado, foi sacrificada nesta sexta-feira, seis anos depois do seu nascimento, por sofrer de uma doença pulmonar incurável, segundo informações do Instituto Roslin, de Edimburgo, na Escócia, onde se deu a clonagem. O fato volta a pôr em evidência o envelhecimento precoce e os problemas de saúde verificados nos animais nascidos mediante essa técnica.A decisão de pôr fim à vida de Dolly foi tomada depois da realização de um exame, cujo resultado provou que a ovelha estava com uma doença degenerativa. "Ela sofria de uma doença incurável, comum em ovelhas com muita idade. Uma ovelha pode viver até 11, 12 anos, embora a maioria não passe dos 6 anos, porque são abatidas para a alimentação humana", explicou o diretor interino do instituto, Harry Griffin.Autópsia detalhada"A autópsia mostrará se a enfermidade estava vinculada à clonagem ou se o que ocorreu foi só falta de sorte", acrescentou. "Se houver uma ligação entre a doença e a clonagem, isso trará mais evidências dos perigos inerentes da clonagem reprodutiva e da irresponsabilidade de qualquer um que esteja tentando aplicar essa técnica aos humanos", comentou Richard Gardner, professor de zoologia da Universidade de Oxford e membro do grupo de pesquisa da célula-tronco e de clonagem terapêutica da Royal Society.Já Ian Wilmut, o líder da equipe que criou Dolly, disse ser improvável que a doença esteja ligada à clonagem. Ele informou que se trata de uma infecção respiratória comum, diagnosticada em outras ovelhas alojadas com Dolly, mas não revelou o nome exato dessa infecção. "Infelizmente, o mais provável é que ela a tenha pegado dessas outras ovelhas." O cientista ressaltou, porém, que só se saberá ao certo o que ocorreu depois de autópsia detalhada.Anomalias cromossômicasA ovelha mais famosa do mundo nasceu em 5 de julho de 1996, mas seu nascimento só foi anunciado em 23 de fevereiro de 1997. Apresentado como um grande avanço científico, o nascimento do primeiro animal clonado a partir da célula adulta de um mamífero provocou enorme polêmica nos meios de comunicação.De aparência exterior completamente normal, Dolly nasceu com anomalias cromossômicas. Seu envelhecimento acelerado foi anunciado, pela primeira vez, em maio de 1999. Um estudo mostrou, então, que a idade de seus cromossomos não era de 3 anos, mas de 9. À sua verdadeira idade deveria se somar a da ovelha de 6 anos da qual se retirou a célula que lhe deu origem. Depois, em 2002, quando ela estava com 5 anos e meio, houve a constatação da artrite prematura.Inquietação O destino de Dolly põe de novo em evidência os perigos da clonagem, ainda mais com os recentes anúncios da empresa Clonaid, ligada à seita dos raelianos, de que já clonou três bebês, embora não apresente nenhuma prova científica disso."A maior preocupação de numerosos cientistas diante dos clones humanos é que, ainda quando estes não apresentarem anormalidades monstruosas no útero, seguramente se tornarão senis antes de completar 20 anos", afirmou Patrick Dixon, especialista em ética da clonagem.AdvertênciaAs pesquisas de Wilmut, o "pai" de Dolly, demonstraram que todos os animais clonados no mundo, e já são centenas, apresentam má-formação genética e física. Por isso, em dezembro, no dia seguinte ao do anúncio do primeiro bebê clonado, o Instituto Roslin lançou uma advertência sobre os perigos da clonagem humana."Parece-me claramente condenável. Todos os grupos que trabalharam na clonagem de animais - vacas, ovelhas, porcos, ratos ou cabras - registraram um índice muito elevado de abortos naturais, mortalidade pós-natal e outros inconvenientes", comentou Griffin, na época.Entre esses inconvenientes figuravam órgãos internos maiores do que o normal e o nascimento de animais duas vezes maiores do que deveriam ser.O corpo de Dolly foi prometido para o Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo, onde deverá ficar exposto.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2003 | 20h28

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