Moscas fêmeas escolhem mais parceiros para evitar gene ruim

Embora a poliandria seja prejudicial, a genética pode dar a resposta para o fato de ser tão comum

Efe

20 de novembro de 2008 | 21h39

Evitar um gene maléfico à descendência poderia ser a razão pela qual as moscas fêmeas preferem ter vários parceiros em vez de um só, segundo um estudo realizado por uma equipe internacional de cientistas, publicado nesta quinta-feira, 20, na revista Science.   A poliandria, a prática feminina de se ligar a vários machos, é muito comum no reino animal, mas os motivos desta conduta são ainda uma incógnita, principalmente porque, em algumas espécies, o custo pode ser muito alto - nas fêmeas da mosca da fruta Drosophila melanogaster, por exemplo, precipita a morte.   A equipe liderada por Nancy Weller, da Universidade de Exeter, Reino Unido, descobriu que em outro tipo de mosca da fruta, Drosophila pseudoobscura, a poliandria tem um sentido, e é melhorar a saúde da descendência.   Alguns machos desta espécie têm em seu cromossomo X o gene SR (do inglês "sex ratio"), um gene que os especialistas classificam como um gene egoísta.   Este tipo de elementos genéticos está presente no genoma dos organismos e, de várias maneiras, podem "manipulá-lo" para cumprir seu objetivo: poder estar no máximo número possível na geração seguinte, explica Weller à Agência Efe.   No caso do "sex ratio", o que faz é matar os espermatozóides que não levam uma de suas cópias (ou seja, os espermatozóides que levam um cromossomo Y) para poder aumentar, assim, sua freqüência ao longo do tempo em relação a outros genes.   "Por isso se chamam genes egoístas, porque o resto de genes é herdado normalmente de uma maneira equitativa", acrescenta a investigadora.   As moscas fêmeas, logicamente, não têm interesse em ter uma descendência com uma fertilidade reduzida por causa deste elemento e, por isso, no processo de escolha, não teriam como parceiros os machos portadores do gene SR.   O problema é que não podem diferenciá-los, portanto a estratégia que adotam é copular com vários machos para ter mais probabilidades de fazê-lo com um "bom", cujo esperma concorra com o dos machos SR, que contém a metade de espermatozóides e tem, portanto, que perdê-la na hora de fecundar os óvulos.   Para comprovar isso, os pesquisadores expuseram as fêmeas a machos portadores do gene SR e seguiram o comportamento de escolher os parceiros das primeiras durante várias gerações.   Após dez gerações, determinaram que as fêmeas tinham desenvolvido a capacidade de escolher novos parceiros com mais rapidez; passaram de copular a cada 3,25 dias a fazê-lo a cada 2,75.   Com esta conduta, diz Weller, as moscas promovem a competição entre espermas e diminuem o risco de que o pai de seus filhos seja um macho SR.

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