Motosserras e tiros no coração da devastação no Pará

Foi uma operação de guerra.Quando quatro fiscais do Ibama chegaram à área desmatada da Fazenda São José, em Santana do Araguaia, extremo sul do Pará, um tiro ecoou na floresta que resta em pé.Os fiscais recuaram, enquanto oito soldados da Polícia Militar avançavam entre os esqueletos das árvores calcinadas por uma queimada recente.Descobriram um acampamento improvisado, onde os cortadores de madeira se recolhiam após uma jornada dura de trabalho. Eram 17 horas, mas o sol ainda estava quente.Dez minutos depois, a situação estava sob controle. Os peões entregaram armas e instrumentos - duas espingardas e meia dúzia de motosserras. O engenheiro agrônomo Marcos Vinícius de Mendonça, coordenador da expedição, surpreendeu-se. Não esperava pela descoberta de uma devastação de 400 alqueires, ou 2 mil hectares, a apenas 3 quilômetros da pista asfaltada que liga Santana do Araguaia à divisa de Mato Grosso."A gente sempre acha mais coisa do que parece ter", disse o fiscal Ideraldo Tavares de Queiroz. A equipe do Ibama, que incluía também Adão de Souza e José Pereira, chegou à Fazenda São José com base em denúncias de moradores.A partir de informações de empregados da propriedade, os fiscais chegaram ao suposto dono, um médico chamado José Flávio de Moraes, que mora em Boituva (SP).A notificação por crime ambiental foi preenchida em nome dele. Localizado pelo Estado, 24 horas depois, em Boituva, onde tem fazenda, ele disse que houve um equívoco. "Não sou eu, não tenho terras no sul do Pará, deve der um homônimo", alegou.Como receberá a notificação, terá de provar isso ao Ibama. Se fosse o dono da São José, teria de apresentar ao Ibama autorização de desmatamento, averbação da reserva legal (80% da área) e memorial descritivo da fazenda.Esse é o caminho que todos os fazendeiros e seus empregados têm de percorrer, quando são pegos em flagrante. Armas, motosserras e outras máquinas apreendidas, como tratores e caminhões, só serão devolvidas se seus donos tiverem recibos de compra, além de autorização para desmatar.Em geral não têm, mas as fichas de autuação abrem caminho para levar a investigação adiante. Com base nos dados colhidos em campo, os fiscais conferem as coordenadas fornecidas por satélite que permitem identificar a dimensão exata das queimadas. Mais difícil é chegar aos responsáveis."Os empregados dão informações erradas ou incompletas para confundir a fiscalização", disse o engenheiro florestal Norberto Neves de Sousa em relatório enviado a seu chefe, o gerente do Ibama em Marabá, Ademir Martins dos Reis.Leia reportagem completa neste domingo em O Estado de S. Paulo

Agencia Estado,

29 de outubro de 2005 | 22h04

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