Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Mau tempo adia para quarta reinauguração de nova base na Antártida

Estação substituirá local destruído por incêndio em 2012; ministro Marcos Pontes causou polêmica ao publicar informação falsa de que projeto é do governo Bolsonaro

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2020 | 07h30
Atualizado 14 de janeiro de 2020 | 18h04

ILHA REI GEORGE - A reinauguração da nova Estação Antártica Comandante Ferraz, que ocorreria nesta terça-feira, 14, foi adiada para esta quarta-feira, 15, por causa do mau tempo. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) participará da cerimônia - o novo horário ainda não foi divulgado.

Em sua página no Twitter, a Marinha explicou que as condições meteorológicas impediram o deslocamento da comitiva brasileira de Punta Arenas, no Chile, para a Antártida.

"A cerimônia de reinauguração da Estação Antártica foi adiada. Devido às condições meteorológicas, o deslocamento das autoridades que saem de Punta Arenas para a Antártica não foi possível", informou a Marinha do Brasil. "A previsão é de que o evento aconteça amanhã (15), em horário a ser confirmado."

Veja a publicação da Marinha do Brasil no Twitter:

Nova Estação Antártica Comandante Ferraz

Com capacidade para 64 pessoas, a nova base brasileira na Antártida substituirá a estação destruída por um incêndio em fevereiro de 2012 e é apontada por pesquisadores como uma das mais modernas da região.

Para Entender

Por dentro da estação antártica brasileira: um passeio pela nova Comandante Ferraz

Destruída pelo fogo em 2020, a base ganhou novo projeto, de US$ 99,6 milhões, e é considerada uma das mais modernas da Antártida

São 17 laboratórios de pesquisa - 14 internos e 3 externos -, que servirão principalmente para estudos de Microbiologia, Biologia Molecular, Química Atmosférica, Medicina, Ecologia e mudanças ambientais.

Planejada pelo escritório de arquitetura Estúdio 41 e construída pela empresa China National Electronics Import and Export Corporation (Ceiec), vencedora de concorrência internacional, a nova estação custou US$ 99,6 milhões e impressiona pela estrutura à prova de ventos de até 200 km/h, solos congelados e abalos sísmicos. 

As obras começaram no fim de 2015. Suas fundações foram pré-montadas em Shangai e levadas de navio para a Ilha Rei George, na Baía do Almirantado, onde ficam estações de Brasil e de outros países. Para aplacar o trauma do incêndio que matou dois militares há oito anos, a segurança virou quase obsessão e acabou ampliando a nova Comandante Ferraz. O projeto original tinha 3,3 mil metros quadrados, mas a estação ficou com 4,5 mil m², em boa parte por segurança. É quase o dobro da antiga, que tinha 2,6 mil m². 

Durante a inauguração, será feita a entrega provisória da estação pela empresa chinesa - a definitiva só deve ocorrer com o fim do pagamento, previsto em contrato para 2022. Segundo a Marinha, US$ 60 milhões já foram pagos. 

Fake news

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, causou polêmica nas redes sociais ao publicar no Twitter nesta segunda-feira, 13, que a nova base na Antártida é um projeto do governo Jair Bolsonaro. A afirmação é falsa. O contrato de cerca de US$ 99,6 milhões entre a Marinha do Brasil e a empresa chinesa Ceiec foi fechado em 31 de agosto de 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT), e as obras da nova estação começaram em novembro do mesmo ano.

A Ceiec venceu uma concorrência internacional, da qual participaram também uma empresa finlandesa e um consórcio chileno-brasileiro.

Veja a publicação do ministro Marcos Pontes no Twitter:

Além de Mourão e Pontes, o País será representado pelos ministros da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas; e da Defesa, Fernando Azevedo e Silva. A comitiva brasileira terá ao todo 45 autoridades, militares, pesquisadores e assessores. Bolsonaro, que desistiu de participar da inauguração da estação, deve participar do evento por meio de uma videoconferência.

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