Muçulmanos começam a comemorar fim do Ramadã

Feixe de lua que confirma o fim dos 28 dias de abstinência diurna apareceu na noite passada na Indonésia

Efe

30 de setembro de 2008 | 15h25

Milhões de muçulmanos de todo o mundo começaram nesta terça-feira, 30, a celebração do Eid el-Fitr, festa que encerra o mês sagrado do Ramadã. O hilal, ou feixe de lua que confirma o fim dos 28 dias de abstinência diurna, apareceu na noite passada na Indonésia, país com o maior número de muçulmanos do mundo e o primeiro a iniciar uma celebração dedicada principalmente a visitar parentes e vizinhos. Também na Arábia Saudita, no Kuwait, nos Emirados Árabes Unidos, no Catar, no Barein, na Jordânia, na Síria, no Iêmen, na Líbia e nos territórios palestinos - todos de maioria sunita -, as autoridades religiosas anunciaram a aparição do astro no céu na segunda-feira, 30, à noite. Em outros países de maioria muçulmana tão diferentes como Egito, Afeganistão e Marrocos, os fiéis ainda não sabem se deverão agüentar por mais um ou dois dias os rigores do mês de jejum e expiação. Apesar da precisão da astronomia, que conhece com exatidão os ciclos da lua, o método que marca o fim da abstinência não é regido pela geografia, mas por uma série de parâmetros, em alguns casos políticos e em outros doutrinários, que dependem dos grandes clérigos. No Oriente Médio e no Golfo Pérsico, a maior parte dos países de credo sunita se amolda à decisão do grande mufti de Meca, na Arábia Saudita, país no qual há mais de 1.400 anos surgiu a religião revelada ao profeta Maomé. No entanto, os fiéis do ramo xiita, minoritário, mas muito influente, costumam seguir os ensinos dos grandes aiatolás iranianos. Apenas 30 anos após sua fundação, o islamismo se dividiu em duas correntes, diferenciadas em aspectos doutrinários, mas que compartilham os princípios básicos. Um deles é o respeito ao jejum do mês do Ramadã, que ao lado da profissão de fé, da esmola, da oração e da peregrinação a Meca constituem os cinco pilares do islamismo. No Irã, único país xiita, e no Iraque, onde o xiismo é majoritário, o primeiro dia de festa será amanhã e se estenderá até sábado. Os muçulmanos de Malásia, Afeganistão, Omã, Índia e Paquistão - este último com uma das maiores comunidades xiitas do mundo - também esperarão até amanhã para encerrar o mês durante o qual, segundo a tradição, o Corão foi revelado a Maomé na chamada Noite do Destino. Na África e na Europa, a maior parte das comunidades muçulmanas sairá amanhã às ruas para celebrar uma festa na qual é tradicional distribuir ajuda aos pobres e entregar presentes, especialmente às crianças. No Cairo, em Rabat e em Argel, milhares de templos e locais públicos foram preparados para receber milhões de fiéis que passarão a madrugada fazendo a oração do Eid, com a qual iniciarão os festejos. Após o Ramadã, milhões de muçulmanos se prepararão ao longo das próximas semanas para o mês da peregrinação a Meca, viagem obrigatória para todo muçulmano, se a saúde ou a situação financeira permitir.

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