Mudança climática leva árvores a picos do Himalaia

Mudança na cobertura vegetal ameaça o estilo de vida de pastores que dependem de pradarias

EFE

27 de dezembro de 2007 | 13h49

prados que cobriam os topos das montanhas do sudoeste chinês estão com um estranho invasor, as árvores, que estimuladas pelo aquecimento global, ameaçam a forma de vida dos pastores tibetanos.      Após quatro anos de estudo, Berry Baker, especialista em mudança climática da Universidade Estadual do Colorado, e Robert Moseley, da organização The Nature Conservancy, comprovaram que o limite das árvores na Montanha Nevada de Baima, na província de Yunnan e fronteira com o Tibete, subiu 67 metros em menos de um século.      O avanço das árvores ameaça a subsistência dos pastores tibetanos, a biodiversidade e as condições meteorológicas numa região onde convergem as águas de quatro rios, dos quais 10% da população mundial dependem: Yang Tse, Mekong, Nu e Irrawaddy.      Uma das principais causas deste avanço é o aumento das temperaturas na região, que nas últimas duas décadas do século 20 subiram 0,06 grau ao anuo - o dobro da média nacional - frente à alta de 0,04 grau nos 60 anos anteriores.   Outro fator, segundo o estudo, são as mudanças nos métodos tradicionais de utilização da terra, com a proibição, em 1988, dos incêndios provocados para controlar o avanço das espécies arbóreas.   "Alterações baixas ou moderadas como o pastoreio ou o fogo para manter a produção de erva promovem o aumento do número de espécies, ou seja, contribuem para a biodiversidade. Por isso essas duas atividades deveriam ser incluídas numa estratégia para conservar os gramados alpinos", afirmou Baker.      Ao mesmo tempo, disse que é preciso realizar programas mais globais pois, à medida que o clima mudar, "as espécies vão tentar se adaptar transferindo-se a novas áreas onde tenham o hábitat que permita que sobrevivam".   "As estratégias para reduzir a fragmentação do hábitat, promover e manter os processos ecológicos básicos e diminuir outras pressões como a exploração excessiva dos recursos naturais serão chaves para permitir que as espécies se adaptem à mudança climática", afirmou o especialista.      O fenômeno da invasão arbórea, segundo Baker, não é exclusivo da China e já foi observado nas montanhas de Europa, Sibéria, América do Norte e inclusive no Ártico, onde a densidade e a altura dos arbustos está mudando.   Além da montanha de Baima, a pesquisa também analisou o monte Khawa Karpo, localizado na cordilheira de Hengduan, ao leste do Himalaia.   Trata-se de um dos ecossistemas temperados com a maior diversidade biológica do planeta. Além disso, no local há cerca de 1.680 geleiras, as mais baixas de toda a China e extremamente sensíveis às mudanças climáticas.      Essas geleiras também estão sofrendo os efeitos do aquecimento. A de Mingyong, por exemplo, diminuiu quase 110 metros entre 2002 e 2004, num dos "ritmos mais rápidos no mundo".

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