Giulio Petrocco/Afp
Giulio Petrocco/Afp

Mudança climática vai colaborar para o aumento no nº de refugiados no mundo

Segundo levantamento da ONU, outros fatores que devem piorar a situação nos próximos dez anos são a explosão populacional e a falta de água e alimentos

Jamil Chade, Correspondente, GENEBRA ,

31 Maio 2012 | 13h05

O mundo vive uma explosão de refugiados e coloca o sistema criado pela ONU há mais de meio século em seu limite. Hoje, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) publica seu levantamento sobre a situação internacional, num documento que é revelado apenas a cada sete anos. Mas ao contrário do que países ricos tentam argumentar, a constatação das Nações Unidas é de que a grande maioria de refugiados não vai aos países europeus ou Estados Unidos, mas acaba em outro país pobre.

 

O cenário traçado pela instituição é dos mais alarmantes: não apenas a tendência de um fluxo de refugiados será mantida, como o número de deslocados tende a aumentar exponencialmente na próxima década. "Nos próximos dez anos, veremos cada vez mais refugiados ou deslocados", alerta o documento.

 

Para chegar a esta conclusão, o Acnur fez um levantamento de cada uma das principais rotas de refugiados e a motivação por trás da decisão de milhares de famílias de abandonar suas casas e países. O estudo não inclui nem os milhares de refugiados da Primavera Árabe e também deixa de fora as últimas crises na África. 

 

No total, 34 milhões de pessoas abandonaram suas casas ou seus países e estão em uma situação delicada hoje. Quase 27 milhões deles estariam ainda vivendo dentro de seus próprios países. Mas em regiões distantes de suas casas. Existem ainda 3 milhões de apátridas  840 mil pessoas que tem sua situação ainda sendo avaliada.

 

Metade dessas pessoas está hoje na Ásia. Mas ainda existe 10 milhões na África, 4 milhões na América Latina e 3 milhões na Europa. O maior contingente de refugiados é de afegãos, com 29% do total mundial. Os iraquianos vem em segundo lugar, com 16%, seguido pela Somália com 7%. 

 

Em termos de deslocados internos, os colombianos lideram a lista, com 25%. São seguidos pela República Democrática do Congo (12%), Sudão (11%), Somália (10%) e Iraque (9%).

 

Se os conflitos são ainda a principal causa do fluxo de refugiados, as mudanças climáticas, explosão populacional, falta de água e alimentos, além da concorrência por recursos tem também se somado aos fatores que tem expulsado milhões de suas terras de origem.

 

O que preocupa a ONU, porém, é que a taxa de geração de refugiados é bem superior à capacidade da organização em dar uma resposta à crise. O resultado é um sistema de proteção saturado. "A atual tendência de deslocamentos forçados está colocando à prova o sistema internacional humanitário em um nível sem precedentes", indicou.

 

Mas se a crise é mundial, quem paga o preço por receber esses refugiados não são os países ricos, como muitos governos tentam passar a ideia. O país que mais recebeu refugiados foi a Jordânia, com 72 refugiados para cada mil habitantes. Na Síria, são 49 por cada mil, seguida pelo Congo e Chade. 

 

Em números absolutos, quem mais recebe pedidos de asilo é a África do Sul. Em 2010, recebeu 180 mil pedidos, mais de três vezes o número registrado nos Estados Unidos, de 54 mil. Na França, foram 48,1 mil contra 41 mil na Alemanha. 31 mil pedidos de asilo foram feitos à Suécia, mesmo número feito por colombianos em 2010 no Equador. Na Malásia, por exemplo, o número é superior ao de países ricos como Canadá, Reino Unido ou Bélgica.

 

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