Mudança de governo acelera desmatamento, diz secretário

O secretário de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Gylnei Viana, atribuiu a repetição de elevado índice de desmatamento da Amazônia entre 2002 e 2003 a um movimento comum nas mudanças de governo. Com receio de medidas duras, madeireiros e agricultores, entre outros, intensificam preventivamente os cortes.?É o receio de que o novo goveno edite medida provisória proibindo desmatamentos?, explicou ele.Esta estratégia teria sido, na opinião de Viana, uma das razões para o registro recorde de desmatamento de 29 mil quilômetros quadrados, entre junho de 1994 e junho de 1995. O período atingiu o final do governo Itamar Franco e o início do primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.Em 2003, no início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, observou-se derrubada da floresta na Amazônia até fora do período em que normalmente ocorre tal atividade. ?Boa parte das pessoas anteciparam a expansão da fronteira agrícola e a chegada de estradas?, deduz Viana.Passivo herdadoA ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lembrou que no ano passado já havia previsto a repetição de um índice elevado. ?Ninguém reverte este quadro de uma hora para outra?, justificou a ministra, referindo-se ao passivo herdado.No primeiro ano do governo Lula, a equipe não dispunha de uma política estruturante para evitar o desmatamento. A diferença agora, ressaltou Marina, é que o governo tem um plano de combate ao desmatamento, construído em dez meses de debate por integrantes de 11 ministérios.A nova taxa do período de 2002/2003 será divulgada oficialmente nesta quarta-feira.

Agencia Estado,

07 de abril de 2004 | 11h35

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