Mudança genética faz tomate ficar grande, diz pesquisa

Tomates modernos são até mil vezes maiores que os selvagens, do tamanho de mirtilos

Reuters

12 de maio de 2008 | 17h51

O segredo por trás de se conseguir grandes tomates não está nos fertilizantes ou em condições de solo perfeitas, mas em algumas poucas mudanças genéticas que, com o passar do tempo, resultaram em tomates mil vezes maiores que os seus ancestrais selvagens, disseram pesquisadores norte-americanos no domingo, 11. "O tomate cereja seria considerado um tomate grande perto dos encontrados na natureza", disse o estudioso da genética de plantas, Steven Tanksley, da Universidade de Cornell, que está trabalhando para entender as mudanças genéticas que permitiram humanos a transformar tomates selvagens - naturalmente do tamanho de mirtilos - nas variedades conhecidas hoje.  "Humanos começaram a domesticar plantas nos últimos dez mil anos. Eles não tinham nenhum conhecimento de genética ou de reprodução, mas de alguma forma eles produziram essas mudanças genéticas em plantas", disse Tanksley. "A questão que estamos levantando é como e o que fizeram para isso?" O pesquisador se concentrou nas mudanças genéticas que deram origem a um grande número de compartimentos dentro do tomate, planta originada na América. Um tomate selvagem tem apenas três ou quatro compartimentos, enquanto um tomate comum pode ter de dez a 20 deles.  Para entender o processo de formação de novos compartimentos e, portanto, de mudança genética dos tomates, Tanksley primeiro mapeou os 30 mil genes do tomate, procurando por diferenças entre o tomate selvagem e o moderno. Isso chegou a cerca de dez genes, que eles selecionaram a partir de comparações entre mutações conhecidas em outras plantas.  Após diversas comparações e testes, eles encontraram um gene chamado "fas", que apresentava uma mutação grande que o tomate selvagem não possuía.  Quando os cientistas pegaram o gene sem mutação e o inseriram em uma planta doméstica comum (com mutação), ela começou a produzir tomates bem pequenos, comprovando o achado. Esse gene enfraquece um sinal biológico que diz para a planta parar de produzir compartimentos, disse Tanksley. Em uma pesquisa anterior, o cientista encontrou mudanças em um gene similar que mandava as células pararem de se dividir. Tanksley acredita que as duas mudanças genéticas explicam as vastas diferenças entre os tamanhos dos tomates selvagens e os modernos.

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