Mudanças climáticas já impactam recursos hídricos

O aumento da temperatura na Terra, provocado pela concentração de gases do efeito estufa, tem conseqüências diretas sobre a distribuição e disponibilidade da água no planeta. Conseguir previsões confiáveis sobre essas mudanças e se antecipar aos seus efeitos são os objetivos dos especialistas da Câmara Temática de Recursos Hídricos (CTRH), do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que se reuniu hoje, em São Paulo.Os impactos das mudanças climáticas globais sobre os recursos hídricos brasileiros podem ser potencializados, ainda, pelo desmatamento indiscrininado, principalmente nas regiões Centro-Sul do País. ?A cobertura vegetal do estado de São Paulo era, em 1973, apenas 8% da original. Além de prejudicar a qualidade de vida, esse desmatamento compromete a disponibilidade hídrica, a capacidade de geração de energia elétrica e o aproveitamento adequado do uso do solo?, disse Carlos Tucci, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).Segundo Fábio Feldmann, secretário-executivo do Fórum, embora o conhecimento sobre o impacto das mudanças climáticas nos recursos hídricos tenha avançado muito, inclusive durante as discussões da Rio+10, ?ainda é difícil convencer vários segmentos da importância desse assunto. Um dos objetivos do Fórum, criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, é dar visibilidade ao tema?. Planeta mais quenteEmbora o clima tenha uma variação natural, estudos recentes encontraram evidências de que emissões excessivas de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) podem provocar mudanças permanentes e irreversíveis no clima do planeta, imprimindo novos padrões no regime de vento, temperatura, pluviosidade e circulação dos oceanos. Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), na década de 90, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças do Clima (IPCC) reuniu os maiores especialistas mundiais e concluiu que o aumento na concentração desses gases de efeito estufa tendem a reduzir a eficiência com que a Terra se resfria.Conforme José Antônio Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no Brasil pode-se verificar uma tendência de aumento de temperatura em todas as grandes cidades, seja devido à urbanização ou às mudanças globais. No país como um todo, as estimativas são de um aquecimento de 0,6 oC desde o final do século XIX. Mundialmente, a década de 1990 foi a mais quente desde 1860 e 1998, provavelmente, o ano mais quente do milênio (o mais frio teria sido 1601).

Agencia Estado,

18 de setembro de 2002 | 16h36

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