Mudanças climáticas podem alterar o mapa da produção de vinho

Nos próximos 50 anos, as 27 principais regiões vinícolas do mundo sofrerão, com um aumento médio de temperatura previsto da ordem de 2oC. Para algumas plantações de uva poderá ser até bom, mas, para outras, o impacto negativo do aquecimento prejudicará a qualidade do vinho. Diante da perspectiva de tais alterações, novas estratégias terão de ser traçadas pelos produtores. ?Uvas são bons indicadores ambientais? disse à Agência FAPESP, Gregory Jones, professor associado da Southern University Oregon e autor de um estudo apresentado esta semana em Washington, na reunião anual da Sociedade de Geologia dos Estados Unidos. Segundo o cientista, como os melhores vinhos são produzidos em locais onde predomina o chamado clima mediterrâneo, qualquer alteração de temperatura será rapidamente transferida para a bebida. ?Como os principais produtores são sempre obsessivos pela qualidade de seus produtos, será fácil detectar as mudanças?, disse Jones. Em seu estudo, o pesquisador utilizou um modelo, que considera a circulação global, tanto dos oceanos como da atmosfera. Das 27 regiões investigadas, a maioria está no Hemisfério Norte. O trabalho também traçou previsões para um vinhedo chileno, um sul-africano e três australianos. ?No Chile, investigamos a principal área produtora, que fica nos arredores de Santiago e próximo à Cordilheira dos Andes. Até 2050, deverá haver um aumento de temperatura nessa região de 1,84oC, numa média de 0,38 graus por década?, disse. Segundo Jones, as alterações poderão beneficiar alguns produtores, mas prejudicar os vinhos que precisam de uvas cultivadas em temperaturas mais baixas. ?Não é necessariamente um impacto negativo. Em alguns lugares, os produtores terão de ficar atentos e investir em tecnologia ou, então, alterar o tipo de uva plantado.? O cientista citou também o exemplo da região de Chianti, na Itália, onde as temperaturas durante o verão já são consideradas quentes. Com temperaturas ainda maiores, os vinicultores poderão ter mais problemas com pragas. Na Alemanha, a situação no Vale do Reno será totalmente inversa. Alguns graus a mais serão benéficos para as uvas, que sofrem com o inverno rigoroso.

Agencia Estado,

07 de novembro de 2003 | 15h06

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