Mulheres fazem protesto com fumaça rosa em Roma durante conclave só de homens

Manifestantes exigindo um papel maior para as mulheres na Igreja Católica acenderam uma chama de fumaça rosa em uma colina do Vaticano na terça-feira, enquanto começava um conclave só com homens que irá escolher o próximo papa.

CATHERINE HORNBY, Reuters

12 Março 2013 | 15h32

Imitando os tradicionais sinais de fumaça da Capela Sistina - branca para um novo pontífice e negra para uma votação inconclusiva -, as mulheres também usaram trajes rosa e crachás onde se lia "Ordenem Mulheres".

Algumas mulheres argumentam que já desempenham um papel importante na Igreja, ensinando e cuidando de jovens católicos e fazendo grande parte do trabalho missionário, enquanto outras dizem que a exclusão de papéis mais importantes e a proibição da ordenação de mulheres estão ultrapassadas.

"O atual clube de meninos velhos deixou nossa Igreja atordoada por causa dos escândalos, abusos, sexismo e opressão", disse a diretora da Conferência de Ordenação das Mulheres, Erin Saiz Hanna, um grupo pequeno reunido na colina Janiculum, acima da Praça São Pedro.

"As pessoas da Igreja estão desesperadas por um líder que seja aberto ao diálogo e abrace os talentos da sabedoria feminina em todos os níveis da Igreja", ela disse.

O Vaticano diz que as mulheres não podem ser ordenadas sacerdotes porque Jesus Cristo escolheu de bom grado apenas homens como seus apóstolos. Defensores do sacerdócio feminino dizem que Jesus estava apenas cumprindo os costumes de sua época.

O protesto de terça-feira em Roma seguiu um comício de fumaça rosa em Nova Orleans no final de semana, com eventos similares planejados em cidades dos Estados Unidos nos próximos dias.

No ano passado, o papa Bento 16 reafirmou a proibição da Igreja a sacerdotes mulheres e disse que não iria tolerar desobediência de clérigos nos ensinamentos básicos. Sob a sua liderança, o Vaticano reprimiu os defensores da ordenação feminina.

Mas alguns cardeais que participam do conclave nesta semana defenderam a necessidade de rever o papel das mulheres na Igreja e as posições de liderança abertas a elas.

O cardeal argentino Leonardo Sandri, de 69 anos, disse à Reuters neste mês que as mulheres devem ter um papel muito mais importante na vida da Igreja e serem capazes de contribuir em áreas que agora estão abertas apenas aos homens.

SUBSECRETÁRIAS

Atualmente, as mulheres, a maioria delas freiras, só podem chegar ao posto de subsecretária em departamentos do Vaticano, o posto no. 3 depois de presidente e de secretário.

Hoje em dia apenas duas mulheres são subsecretárias: a Irmã Nicoletta Vittoria Spezzati e a leiga Flaminia Giovalnelli.

Spezzati ocupa o posto no departamento para ordens religiosas do Vaticano, que é administrado pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz.

Ele vem desempenhando um papel de mediador depois que o Vaticano repreendeu, no ano passado, freiras norte-americanas por não fazerem o bastante para combater o aborto e o casamento gay. Ele também recebeu crédito por ter amenizado a mão pesada de seu antecessor no departamento que havia reclamado sobre liberalizar tendências na Igreja.

Giovanelli trabalha para o Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, sob a liderança do cardeal Peter Turkson, de Gana, o principal candidato africano a papa.

Algumas mulheres, cansadas de esperar que as regras mudem, decidiram agir por conta própria. A Associação de Sacerdotes Mulheres Católicas Romanas (ARCWP, na sigla em inglês) diz que hoje existem mais de 124 sacerdotes mulheres e 10 bispas no mundo todo, embora o Vaticano as considere excomungadas.

(Reportagem adicional de Ana Valderrama e Philip Pullella)

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