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Mulheres obesas têm chance 40% maior de desenvolver câncer

Segundo estudo, obesidade aumenta risco de 7 tipos de câncer em mulheres, incluindo tumores de mama, intestino, útero e pâncreas

FÁBIO DE CASTRO, O Estado de S. Paulo

17 Março 2015 | 16h38

Mulheres obesas têm uma chance 40% maior de desenvolver câncer ao longo da vida, em comparação às mulheres com peso considerado saudável, de acordo com um estudo realizado pela Cancer Research UK, um centro público de pesquisas do Reino Unido. Segundo a pesquisa, que teve seus resultados divulgados nesta terça-feira, 17, a obesidade em mulheres aumenta o risco de surgimento de sete tipos de câncer: tumores de mama, de intestino, da vesícula biliar, do útero, do rim, do pâncreas e do esôfago.

As novas estatísticas indicam, ainda, que as mulheres obesas têm uma chance em quatro de desenvolver tumores ligados ao sobrepeso ao longo da vida.

Em um grupo de mil mulheres obesas, 274 foram diagnosticadas alguma vez na vida com um câncer ligado ao ganho de peso, em comparação a 194 mulheres diagnosticadas com tumores em um grupo de mil mulheres com peso considerado saudável.

De acordo com os autores do estudo, os resultados não deixam dúvidas sobre a relação entre câncer e obesidade em mulheres. Eles advertem, no entanto, que as estatísticas valem para o Reino Unido - onde foi conduzida a pesquisa - e não podem ser extrapolados para outros países. No Reino Unido, um quarto das mulheres são obesas - o que aumenta seu risco de câncer. 

Anualmente, no país, 18 mil mulheres desenvolvem tumores como resultado do sobrepeso, segundo o estudo. No Brasil, de acordo com um levantamento feito pelo Ministério da Saúde em 2014, 47,4% das mulheres estão acima do peso considerado saudável. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), uma parte importante dos casos de câncer poderia ser evitada no Brasil a partir do controle da obesidade, que é responsável por 14% dos casos de câncer de mama.

Uma das autoras do estudo, a médica Julie Sharp, da Cancer Research UK, afirma que há diferentes maneiras pelas quais a obesidade pode aumentar o risco de câncer - e uma possibilidade é que a doença esteja ligada a produção de hormônios pelas células de gordura, em especial o estrogênio. Acredita-se que esse hormônio funcione como um "combustível" para o desenvolvimento do câncer.

"A relação entre o sobrepeso, obesidade e risco de câncer ainda não é completamente entendida pela ciência. Mas sabemos que as células de gordura são ativas e aumentam os níveis de certos hormônios e compostos químicos - especialmente os hormônios sexuais - que circulam no nosso corpo. Isso pode levar ao desenvolvimento de tumores como o câncer de mama", disse Julie. De acordo com ela, as células adiposas (de gordura) também aumentam os níveis de insulina e das substâncias conhecidas como fatores de crescimento. "Mas ainda não compreendemos totalmente como isso afeta o risco de câncer", afirmou.

Segundo a cientista, a parte do corpo onde se tem o excesso de peso é também um fator relevante. "A gordura em torno do estômago parece aumentar os riscos de câncer mais que o peso nos quadris, por exemplo. Isso pode estar ligado à proximidade das células de gordura ativas em relação a órgãos como os rins e intestinos. O sobrepeso e a obesidade aumentam os riscos de vários outros problemas de saúde, que podem também afetar indiretamente o risco de câncer", declarou Julie.

Perder peso, de acordo com Julie, pode ser uma importante forma de prevenção de tumores. "Perder peso não é fácil, mas não há necessidade de ginástica exaustiva, de correr quilômetros por dia, ou abandonar para sempre as comidas favoritas. É possível conseguir um grande impacto fazendo apenas pequenas mudanças nos hábitos - o que facilita a manutenção dessas mudanças a longo prazo".

Segundo a pesquisadora, é possível reduzir o peso seguindo dicas simples, como descer do ônibus um ponto antes do destino e diminuir a presença de alimentos que tenham muita gordura e açúcar. "Perder peso leva tempo, então é preciso construir esses hábitos gradualmente para conseguir chegar a um estilo de vida mais saudável, de forma que seja possível manter", afirmou Julie. 

De acordo com ela, também é recomendável procurar serviços locais de assistência médica, que podem fornecer apoio para as mudanças de estilo de vida a longo prazo. "Nós sabemos que nosso risco de ter câncer depende de uma combinação dos genes, do ambiente e de outros aspectos da vida - vários dos quais nós podemos controlar", afirmou Julie. O estudo, de acordo com ela, mostra a importância, para a saúde pública, de ajudar as pessoas a entender como reduzir seu risco de desenvolver um câncer. "Mudanças no estilo de vida - como não fumar, manter o peso saudável, ter uma dieta saudável e reduzir o álcool - é uma grande oportunidade para diminuirmos nosso risco pessoal de câncer. Fazer essas mudanças não é uma garantia contra o câncer, mas é uma maneira de acumular probabilidades a nosso favor", afirmou a médica.

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