Múmia permitirá estudar dinossauro em movimento

Presença da pele dá aos cientistas um meio para estimar o volume de músculo do animal

Carlos Orsi, estadao.com.br

07 de dezembro de 2007 | 17h20

O paleontólogo britânico Phil Manning, principal pesquisador envolvido no estudo de Dakota, o fóssil de dinossauro de 67 milhões de anos encontrado nos EUA com vestígios de tecidos moles - incluindo o invólucro de pele completo, além de tendões e ligamentos - diz que a descoberta permitirá determinar como o animal se movia, sua força, tamanho e velocidade.     Tiranossauro rex corria a 30 km/h, mostra simulação   "Ter a pele completa, além dos ossos, é importante, porque com isso conseguimos saber qual o volume máximo de músculos do animal", explica Manning, em entrevista por telefone ao estadao.com.br. "E, com isso, estimar sua velocidade. É por isso que estamos tão entusiasmados. Os modelos de movimento que faremos serão muito mais precisos", afirma.   Dakota, cuja descoberta foi anunciada publicamente na última segunda-feira, foi saudado como uma das mais completas "múmias de dinossauro" já encontradas. "Múmia", no caso, é o apelido dado aos fósseis que apresentam sinais de tecidos moles, além de ossos e dentes.   Manning afirma que o animal, um hadrossauro - um herbívoro, cujo nome significa "lagarto com bico de pato" - renderá vários anos de estudo, a começar pela explicação do equilíbrio químico que manteve os tecidos moles livres de decomposição, até serem fossilizados.   No momento, os cientistas analisam os dados gerados por uma tomografia computadorizada do fóssil, realizada num equipamento normalmente usado pela Nasa para inspecionar peças de ônibus espaciais.   A equipe já concluiu que Dakota tinha um traseiro 25% maior que o esperado para hadrossauros - o que poderá mudar a imagem comum desses animais, que com o músculo extra seriam corredores muito mais velozes do que se imaginava, capazes de deixar o Tiranossauro rex para trás.   Dakota foi descoberto em 1999 por Tyler Lyson, hoje um estudante de geologia e, na época, um adolescente de 16 anos, em Dakota do Norte. A história da descoberta e as primeiras conclusões do grupo de Manning serão tema de um documentário do canal National Geographic, com exibição prevista, no Brasil, para 16 de dezembro. Manning também lançará um livro sobre múmias de dinossauros, Grave Secrets of Dinosaurs: Soft Tissues and Hard Science ("Segredos do Túmulo  dos Dinossauros: Tecidos Moles e Ciência Dura").   Sobre outras surpresas que a múmia possa conter - como um coração ou um fígado fossilizado de dinossauro - Manning afirma que a tecnologia atual ainda não é boa o suficiente para revelá-las.   "Tentar descobrir isso agora significaria fatiar o fóssil, o que ninguém está muito ansioso em fazer", explicou o pesquisador. "Até que a tecnologia de imagem chegue à altura disso, teremos de esperar".

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