Mundo não espera Europa para acordo climático, diz De Boer

O secretário-executivo em Poznan disse que novas medidas da UE são importantes para sua credibilidade

Efe

09 de dezembro de 2008 | 16h08

O secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima, Yvo de Boer, disse nesta terça-feira, 9, que "o mundo não está esperando a Europa" para chegar a um acordo na cúpula de Poznan, na Polônia, na qual 192 países tratam de perfilar as bases do regime climático internacional a partir de 2012.   Veja também:   UE enfraquece luta contra aquecimento, dizem ambientalistas Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008 Mudança climática pode elevar número de refugiados, diz ONU Acordo para vítimas do clima pode ser necessário, diz WWF Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018 Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Acompanhe a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (2)  Página oficial da conferência    De Boer contou à Agência Efe que as decisões que deverão adotar os líderes dos 27 países no Conselho Europeu de Bruxelas quinta e sexta-feira sobre o pacote de medidas de energia e mudança climática é "muito importante para a credibilidade da Europa".   Segundo ele, essas medidas, que prevêem até 2020 reduções de 20% nas emissões de gases do efeito estufa e no consumo energético, além de aumentar para 20% a participação de energias renováveis em todo o consumo energético, "não impactarão" a decisão da Conferência.   A cúpula de Poznan enfrenta nesta semana sua etapa mais importante, para definir bases para a reunião de Copenhague de 2009, na qual se deve chegar a um acordo sobre o regime climático internacional em 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto.   "Há muitas suspeitas neste processo sobre promessas quebradas no passado e isto é o que realmente nós necessitamos reparar", assinalou.   Sobre a contribuição dos países emergentes - China, Índia, Brasil, África do Sul e México - à luta contra a mudança climática, De Boer afirmou que sempre assumiram responsabilidades, têm estratégias nacionais e participam da cúpula com um espírito "muito construtivo".   Para o secretário-executivo da Convenção, o problema é que os países ricos "têm a impressão de que os pobres não estão fazendo nada, o que realmente não é certo" e as economias emergentes "sentem que as potências ricas não estão fazendo ainda o suficiente".   Sobre se a situação econômica pode dificultar o acordo, De Boer reconheceu que a redução dos preços do petróleo "é má" para que as energias renováveis possam competir, mas, ao mesmo tempo, a atual conjuntura é "uma oportunidade para repensar a sustentabilidade dos investimentos".   De Boer também se referiu à posição dos EUA - país que não assinou o Protocolo de Kyoto - após a eleição de Barack Obama, e assegurou que a delegação americana está fazendo um papel construtivo e quer deixar as opções abertas para quando tomar posse a nova administração.   Energia renovável   A União Européia (UE) alcançou nesta um acordo para que 20% da energia que consumir em 2020 seja renovável, uma das medidas de combate à mudança climática que a cúpula européia desta semana busca aprovar.   A decisão foi adotada em reunião entre representantes do Conselho Europeu, da Comissão Européia e do Parlamento Europeu que concluiu, dentro da intensa série de negociações prévias que buscam definir no possível um acordo diante da cúpula da quinta e sexta-feira próximas.   O acordo estabelece que os 27 países da UE terão objetivos nacionais vinculativos para conseguir esse 20% no conjunto do bloco, assim como planos de ação detalhados para alcançar esse fim.   A Comissão Européia terá poderes para fazer um acompanhamento do cumprimento desses planos nacionais e lançar procedimentos de infração contra os países que não cumprirem.   A cláusula de revisão de 2014 não afetará os objetivos nem os planos nacionais.   Estabelece também que 10% do combustível do transporte procederá de biocombustíveis renováveis.   Dentro desses 10%, não haverá uma cota mínima obrigatória para biocombustíveis de segunda geração, hidrogênio ou eletricidade, mas está previsto um sistema de bonificação para incentivar a utilização destes.   O acordo coloca a energia renovável no topo das medidas energéticas da Europa, criará até 2 milhões de novos empregos e garantirá a liderança da UE em tecnologias de vanguarda, disse o eurodeputado Claude Turmes, em comunicado.

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