Mundo precisa de ética econômica e de novas regras, diz papa

A crise global mostra que o mundo precisa de ética econômica e de novas regras para que o sistema financeiro beneficie toda a humanidade, disse o papa Bento 16 nesta segunda-feira, em seu discurso para o Ano Novo.

PHILI, REUTERS

09 Janeiro 2012 | 14h13

Em um discurso abrangente, o pontífice também pediu o fim da violência no norte da África e no Oriente Médio, e denunciou ataques contra a liberdade religiosa.

"O momento presente é tristemente marcado por uma inquietação profunda e as várias crises -econômica, política e social- são uma expressão dramática disso", disse ele a diplomatas no que ficou conhecido como seu discurso anual sobre "o estado do mundo".

Ele disse que "os desenvolvimentos graves e inquietantes da crise financeira e econômica global" que começou nos países industrializados agora estavam contagiando o mundo e deixando muitos, principalmente os jovens, desorientados e frustrados.

Acrescentando um toque pessoal a apelos feitos em documentos recentes do Vaticano, Bento 16 pediu uma injeção de ética no modo como a economia mundial é administrada.

"A crise pode e deve ser um incentivo para refletirmos sobre a existência humana e sobre a importância de sua dimensão ética", disse, dirigindo-se em francês a diplomatas de quase 180 países.

As mudanças na economia não deveriam ser apenas "um esforço para conter as perdas privadas ou para escorar as economias nacionais, mas para nos dar novas regras que garantam que todos possamos levar uma vida digna e desenvolver nossas capacidades para o benefício da comunidade como um todo".

Desde o início da recessão, Bento 16 diz que a falta de ética suficiente no mundo das finanças não deve ser ignorada, e que decisões econômicas deveriam ser baseadas nos avanços do bem comum e não no lucro individual.

Um importante documento divulgado em outubro pelo departamento de paz e justiça do Vaticano pediu reformas extensas no mundo econômico e a criação de uma autoridade global de ética para regular o mercado financeiro.

Em outra parte do discurso, o papa falou sobre os levantes da "Primavera Árabe" e apoiou os pedidos por democracia e mudança pacífica na região.

Ele pediu "o reconhecimento da dignidade inalienável de cada ser humano e de seus direitos fundamentais" em países naquela região. Ele disse que o respeito à pessoa "deve levar ao fim de toda violência".

Bento 16 disse esperar que a presença de observadores da Liga Árabe na Síria ajude a pôr fim ao derramamento de sangue ali, e instou a comunidade internacional a fazer mais para que israelenses e palestinos selem a paz.

Ele disse que a liberdade religiosa estava ameaçada em vários locais na África e na Ásia e denunciou mais uma vez os ataques contra os cristãos na Nigéria, onde bombas em igrejas no dia de Natal mataram pelo menos 27 pessoas.

O papa, que visitou a África no ano passado, descreveu tais ataques como "terrorismo religiosamente motivado" e disse que eles eram "a antítese da religião" e contribuíam para sua destruição.

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