Município em APA incentiva agricultura orgânica

Com 100% de seu território inserido em uma Área de Proteção Ambiental (APA Jundiaí/Cabreúva), a cidade de Cabreúva acaba de adotar um Plano de Desenvolvimento Agrícola Ambiental, cujo objetivo é incentivar a transição de um modelo de agricultura tradicional para a orgânica no município. Localizada a 81 Km de São Paulo, a cidade é predominantemente agrícola e fica em uma área de transição de Mata Atlântica e Cerrado (40% dela na Serra do Japi).O plano foi lançado pelo prefeito, José Leonel (PV), a partir de uma experiência que vem sendo desenvolvida há dois anos pela Associação dos Agricultores de Cabreúva, em uma área piloto de 30 mil Km2, com a participação de dez famílias. O grupo, com a assessoria da Casa de Agricultura, está iniciando sua segunda colheita de hortaliças orgânicas, principalmente vagem, que é comprada e beneficiada por uma empresa voltada para o público de classe A.?Queremos mostrar aos produtores do município que estar em uma APA é um privilégio e não um entrave, como ainda é visto por muitos?, diz o agrônomo Fernando Candiotto, diretor técnico do projeto. Segundo ele, muitos agricultores ainda trabalham de forma inadequada no município, abusando de defensivos agrícolas e plantando em áreas de proteção permanente. ?Temos cerca de 60% de pequenas propriedades em Cabreúva e muitos produtores querem ver os primeiros resultados, antes de aderir ao novo modo de produção?.Candiotto explica que a produção da área piloto é destinada também para a merenda escolar da cidade e que os participantes já estão tendo vantagens financeiras. ?A produção orgânica, no entanto, demora um pouco para atingir todo o seu potencial, pois exige tempo para o preparo do solo e desenvolvimento do manejo. Mas fizemos estudos no solo e na água da região cultivada e não encontramos nenhum contaminante. Mesmo assim, precisamos conseguir a certificação, o que leva algum tempo?, diz.Além de hortaliças, a região é produtora de morangos e, nas propriedades maiores, reflorestamento de eucalipto, avicultura e pecuária de corte. Segundo o agrônomo, já há um proprietário interessado em investir em gado orgânico no município.Além da manutenção da Casa de Agricultura, dividida entre o município e o Estado, a Prefeitura já investiu R$ 150 mil em três tratores e implementos agrícolas para o projeto. Além disso, o plano inclui a criação de uma Unidade de Produção Orgânica, que agregará um centro de cursos e treinamentos, um centro de compras coletivas de insumos agrícolas e assistência técnica para agricultura orgânica e de transição. Estão previstos, ainda, programas de educação alimentar e ambiental e campanhas educativas envolvendo agricultura orgânica e meio ambiente.

Agencia Estado,

21 de junho de 2002 | 12h28

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