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Museu dos EUA prepara grande mostra de crânios de cristal

Acredita-se que os artefatos tenham sido feitos no século XIX, quando o mercado de antigüidades florescia

AP

09 de julho de 2008 | 19h07

Para satisfazer a curiosidade das pessoas com os crânios de cristal, o Museu Smithsonian de História Natural vai expor essas peças a partir de quinta-feira, 10. "As pessoas gostam de acreditar em algo maior que elas mesmas", disse a antropóloga do museu, Jane MacLaren Walsh, e os crânios de cristal são misteriosos e bonitos.  Os crânios "são um exemplo fascinante de artefatos que foram parar em museus sem nenhuma evidência que prove sua origem pré-colombiana", acrescentou. Os cristais na forma de crânios humanos satisfizeram a necessidade do século XIX por drama e mistério, além de sua fascinação pela morte. Eles eram, supostamente, uma criação de povos antigos das Américas - astecas, mixtecas, toltecas, e talvez maias.  Os crânios foram tomados como uma representação da arte e da religião desses povos. Alguns até diziam que os crânios tinham poderes especiais, talvez sobrenaturais. Cientistas dizem que não é verdade. Ainda assim, os grandes crânios de cristal chegaram misteriosamente ao Smithsonian há 16 anos, saíram do gabinete trancado no escritório de Walsh e vão ser exibidos até início de setembro.  Estudar esses crânios levou Walsh a estender sua investigação para os crânios de cristal de outros museus, concluindo que são todos falsos, feitos entre os séculos XIX e XX.  "No passado, a maioria das esculturas de crânios eram consideradas antigas", disse. Além do mais, por que alguém se daria ao trabalho de falsificar um? Ainda assim, ela está feliz que tenham chegado à sua porta, para que fizesse o estudo. "Esse objeto, em particular, nos contou uma nova história", disse. Dos muitos crânios de cristal em museus e coleções particulares em todo o mundo, o do Smithsonian é o maior, medindo 25 centímetro de altura e pesando 13,5 quilos. Ele foi enviado anonimamente para o museu, acompanhado de uma nota que falava sobre sua origem asteca. Não é, diz Walsh. Os crânios foram esculpidos em blocos de quartzo e mostram marcas de ferramentas modernas. Isso significa que não foram feitos antes do século XIX. O do Smithsonian, ela disse, parece ter sido feito entre 1950 e 1960. De fato, nenhum crânio de cristal jamais foi achado em sítios arqueológicos.  É verdade que crânios aparecem na arte asteca e tolteca. Mas, como apontam os cientistas, eles sempre foram entalhados em basalto, uma rocha escura.  Cientistas acreditam que os artefatos de cristal tenham sido feitos na europa e no México, na maior parte, no século XIX, período em que houve um grande mercado de antiguidades, reais ou falsas.  E os seus poderes especiais? Veja o que diz o Museu Britânico: "grandes crânios de quartzo geraram grande interesse público e fascinação desde que começaram a surgir em museus ou coleções particulares durante a segunda metade do século XIX. O Museu Britânico vê os crânios, em seu total, como um conjunto de objetos enigmáticos de grande interesse, mas nenhum poder sobrenatural." Os crânios de cristal também estão expostos no Museus Britânico em Londres e no Musee du Qai Branly em Paris.

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