Museu exibe móveis de madeira certificada

Árvores amazônicas fornecem a matéria-prima essencial para a exposição Jóias da Floresta, que se realiza hoje e amanhã no Museu da Casa Brasileira. Na mostra são cerca de cem móveis e objetos com madeira certificada, desenhados por Cláudia Moreira Salles, Carlos Motta, Isay Weinfeld, Ricardo Salem e Etel Carmona, que é também a responsável pela produção das peças. Etel ganha dinheiro explorando a floresta, mas não tem vergonha disso. Na verdade, espera que outros sigam o seu exemplo. Os móveis são feitos de madeira 100% amazônica e 100% certificada. Ou seja, retirada da floresta sem prejuízos ao meio ambiente, com lucro, tanto para Etel quanto para as comunidades locais. Os seringueiros que ganhavam R$ 1 mil ao ano com a extração de borracha e castanha hoje ganham R$ 7 mil para derrubar de quatro a cinco árvores por ano. Falhas e manchas que normalmente tornariam a madeira imprestável são incorporadas ao design, tornando cada peça única. "A diferença é que aproveitamos a árvore inteira, da raiz aos galhos, não apenas as partes nobres", afirma Etel. É o resultado desse trabalho que Etel e os outros designers paulistas vão apresentar na mostra. "Será uma exposição com tom de manifesto", afirma. "Queremos sensibilizar consumidores e empresários do valor das nossas florestas; mostrar que a Amazônia tem valor em pé e não deitada." A mostra marca o lançamento do Movimento Jóias da Floresta, que combina designers, empresários, ambientalistas e governo para promover a valorização dos produtos florestais. A madeira usada por Etel vem do Assentamento Agroextrativista Chico Mendes, uma área de 27 mil hectares em Xapuri, no Acre. A extração fica por conta de 19 famílias de seringueiros e a confecção dos móveis, de jovens carentes, treinados pessoalmente pelos artesãos da fábrica de Etel, em Valinhos (SP). No início do ano, a operação tornou-se o primeiro projeto comunitário no Brasil certificado pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC). Os seringueiros que ganhavam de R$ 5 a R$ 6 por dia desmatando a floresta para plantar a chamada lavoura branca - arroz, milho, feijão e mandioca - hoje têm renda diária de R$ 30 com a extração de madeira, segundo o engenheiro florestal Virgilio Viana, que desenvolveu o projeto extrativista do assentamento. O conceito pode ser resumido da seguinte forma: só podem ser derrubadas árvores "avós", que já tenham pelo menos uma "filha" e duas "netas" - que serão cortadas futuramente pelos filhos e netos do seringueiros, respectivamente. "O segredo foi desenvolver um sistema de manejo com os seringueiros. São eles que localizam as árvores e decidem qual derrubar. Nós só estabelecemos regras, eles fazem o resto", afirma Viana, professor Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). Segundo José Pascowitch, diretor da Brasil Connects, organização não-governamental do setor privado que apóia a exposição, a mostra significa a comprovação de que é viável montar um negócio rentável na Amazônia, sem derrubar a floresta. A partir de depois de amanhã, até 29 de junho, a exposição estará na Loja Etel Interiores, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, no Jardim Paulistano.

Agencia Estado,

28 de maio de 2002 | 16h03

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