Leon Kuegeler/Reuters
Leon Kuegeler/Reuters

Mutação europeia do coronavírus pode ser até 6 vezes mais capaz de infectar células, diz estudo

Experimentos in vitro apontam que variante europeia se tornou dominante em relação ao vírus surgido na China; pesquisa ainda está em andamento

Redação, AFP

03 de julho de 2020 | 10h05

Um estudo publicado na revista Cell na quinta-feira, 2, aponta que o novo coronavírus sofreu uma mutação na Europa, tornando-se mais potente para infectar células. Segundo cientistas responsáveis pela pesquisa, a nova variante do SARS-CoV-2 “provavelmente” é mais contagiosa entre os seres humanos, o que ainda não está confirmado. 

“Parece que o vírus se replica melhor e pode ser mais transmissível, mas ainda estamos na etapa de tratar de confirmá-lo. Há muitos bons geneticistas de vírus trabalhando nisso”, disse Anthony Fauci, diretor do Instituto de Enfermidades Infecciosas dos Estados Unidos, à revista Jama

Depois de sair da China e entrar na Europa, uma variante do novo coronavírus (que se muta como qualquer outro vírus) se tornou dominante, e foi essa versão europeia que se espalhou pelos Estados Unidos. A variante é chamada de D614G e tem como diferencial uma mudança no DNA relacionada ao controle das células humanas. 

Cientistas estão rastreando mutações genéticas do vírus da covid-19 em todo o mundo. Cada novo sequenciamento do genoma é compartilhado em uma base de dados internacional (chamada GISAID), com mais de 30 mil sequências contabilizadas.

O novo estudo é liderado pelas universidades Sheffield (Inglaterra) e Duke e pelo Laboratório Nacional de Los Alamos (ambos nos Estados Unidos), que já haviam identificado que o D614G era dominante em abril. 

Os pesquisadores analisaram primeiramente dados de 999 pacientes britânicos hospitalizados com diagnóstico da covid-19, nos quais observaram que aqueles com a variante do novo coronavírus tinham mais partículas virais e que isso não interferia na gravidade da covid-19. 

Os experimentos em laboratório demonstraram que a variante é de três a seis vezes mais capaz de infectar células humanas. “Parece provável que seja um vírus mais capaz”, disse Erica Ollmann Saphire, que realizou um dos experimentos, no Instituto de Imunologia de la Jolla. Um experimento in vitro não pode, contudo, reproduzir a dinâmica real da pandemia.

A conclusão é que, portanto, a variante que circula atualmente é provavelmente mais infecciosa do que a surgida na China, o que não significa que seja mais transmissível entre humanos. 

Independentemente disso, “essa variante é a pandemia agora”, ressalta Nathan Graubaugh, da Universidade de Yale, em um artigo em separado. “D614G não deveria mudar nossas medidas de restrição e nem piorar as infecções individuais”, aponta. 

A conclusão dos especialistas é que o resultado final do estudo ainda não está concluído. “Descobrimos o vírus há seis meses e aprenderemos muito mais nos próximos seis meses.”

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