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Mutações do Ebola são menos rápidas do que cientistas pensavam

Descoberta contradiz relatórios anteriores, que indicavam taxa alta de mutação - o que permitiria que vírus se alastrasse facilmente

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

26 Março 2015 | 17h48

Um estudo publicado na Science sugere que o vírus responsável pela atual epidemia de Ebola na África Ocidental não está sofrendo mutações tão rápido como se pensava. O grupo de pesquisa foi liderado por Thomas Hoenen, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (Niaid, na sigla em inglês). 

A descoberta, segundo os autores, contradiz relatórios anteriores, que indicavam uma taxa alta de mutação - o que poderia dar capacidade para se alastrar mais rápido e resistência a novas terapias. A epidemia de Ebola começou no oeste da África em 2013 e se tornou a maior e mais duradoura já registrada na história. 


Sequenciamentos genéticos do vírus foram publicados poucas vezes e, com análises baseadas nessas sequências limitadas, chegou-se à conclusão que o vírus estaria sofrendo mutações duas vezes mais rápido que o registrado em observações anteriores. Para estudar com mais precisão a taxa de mutação do vírus, a equipe liderada por Hoenen obteve amostras de sequências de dois focos de infecções do Ebola, introduzidas no Mali em ocasiões separadas. 

Comparando os dados dessas sequências aos de outras analisadas previamente, os cientistas constataram que, em um intervalo de nove meses, a taxa de mutação do vírus é semelhante à que foi registrada em epidemias de Ebola anteriores. A descoberta contradiz dados de sequenciamentos realizados no início da atual epidemia. A conclusão, para os autores, é que os atuais métodos de diagnóstico, vacinas e terapias ainda devem ser eficazes contra o vírus.

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