Na Espanha, papa ouve prece por vítimas de abusos sexuais

O papa Bento 16 escutou nesta sexta-feira preces pelas vítimas de abusos sexuais ao comandar uma enorme procissão com dezenas de milhares de jovens na Espanha.

JUDY MACINNES E MARÍA IBAÑEZ, REUTERS

19 Agosto 2011 | 18h25

A procissão da Via Crúcis pelo centro de Madri foi o ponto alto do segundo dia da visita do papa à Espanha. Foram lidas preces com menções a diferentes setores da sociedade que enfrentam sofrimentos.

"Jesus sofre com todos aqueles que são vítimas do genocídio humano onde a violência brutal explode, ou vítimas de estupros e abusos sexuais, os crimes contra as crianças e adultos", disse a prece.

Em silêncio, representantes de diversos países e grupos sociais -- inclusive jovens desempregados e pessoas perseguidas por suas crenças -- se revezaram carregando uma cruz simples, de madeira, que representa aquela onde Jesus morreu. Imagens sacras, geralmente levadas às ruas só nas famosas celebrações da Semana Santa espanhola, também estavam na Via Crúcis.

"Foi uma experiência muito emocionante, inesquecível. Uma experiência ímpar. As estátuas da Semana Santa são uma das coisas mais incríveis que a gente pode ver na Espanha", disse o peregrino paraguaio Ricardo Ramírez, de 28 anos.

As preces, escritas por freiras espanholas para a ocasião, refletem a dor e o escândalo que a Igreja Católica sofreu nos últimos anos devido à revelação de casos de abusos sexuais de crianças por padres em vários países.

Bento 16 já pediu perdão por esses abusos, mas grupos de vítimas dizem que o Vaticano não se empenha suficientemente para levar os culpados à Justiça.

Antes da procissão, o papa conversou com o primeiro-ministro socialista da Espanha, José Luís Rodríguez Zapatero, que em 2005 fez a Espanha se tornar o terceiro país do mundo a legalizar o casamento homossexual -- uma medida que o colocou em rota de colisão com a Igreja.

A visita de Bento 16 ocorre num momento de profunda crise econômica na Espanha, onde o índice de desemprego está em torno de 20 por cento, atingindo especialmente os jovens.

Os gastos do governo com a visita provocaram críticas do grupo conhecido como "Los Indignados", que em maio ocupou a praça Puerta do Sol, em Madri, num protesto contra a falta de perspectiva para os jovens.

Na quarta-feira, uma manifestação contra a visita papal, reunindo também outros grupos sociais e até alguns padres espanhóis, terminou em violência.

Nesta sexta-feira, enquanto os peregrinos que vieram a Madri para a celebração do Dia Mundial da Juventude veneravam o papa, cerca de 2.000 manifestantes da plataforma Democracia Real JÁ reuniam-se no centro de Madri.

Na noite de sábado, ativistas homossexuais pretendem realizar outro protesto contra o papa.

O Vaticano lamentou os confrontos entre manifestantes e policiais na quarta-feira, mas disse que eles eram incidentes "marginais" diante da magnitude do evento.

Mais conteúdo sobre:
RELIGIAO PAPA ESPANH A*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.