Na Páscoa, papa pede aceitação de imigrantes que fogem da guerra

Em mensagem de Páscoa ao mundo neste domingo, o papa Bento 16 lamentou que a alegria da celebração seja maculada pela guerra na Líbia e pediu à Europa que receba imigrantes desesperados que fogem às revoltas no norte da África.

PHILI, REUTERS

24 Abril 2011 | 10h52

O papa de 84 anos marcou sua sexta Páscoa como líder da Igreja Católica celebrando a missa para mais de 100 mil pessoas na praça de São Pedro, que estava ornamentada com 42 mil flores e plantas para simbolizar esperança e amor.

Mas Bento 16, que desejou feliz Páscoa em 65 línguas, pregou seu sermão contrastando a alegria da Páscoa com as guerras, a pobreza e o sofrimento ao redor do mundo, em especial no norte da África.

"Aqui, neste nosso mundo, a aleluia de Páscoa ainda contrasta com os gritos e lamentos que ecoam de tantas situações dolorosas, privação, fome, doença, guerra, violência", disse ele em seu discurso semestral "Urbi et Orbi" (para a cidade e para o mundo).

Falando da Líbia, onde a guerra civil deixou muitos mortos nos últimos três meses, o papa pediu que a diplomacia e o diálogo substituam as armas e pediu que ajuda humanitária possa chegar àqueles que precisam.

Ele pediu respeito aos direitos humanos no Oriente Médio e no norte da África e pediu que a Europa receba de braços abertos aqueles que pedem asilo e estão fugindo das guerras.

"Que a ajuda venha de todos os lados para aqueles que estão fugindo dos conflitos e para os refugiados de vários países da África que tiveram de deixar tudo o que amavam para trás", disse o papa.

A Itália tem reclamado de ter sido "deixada sozinha" pelos parceiros da União Europeia, tendo que lidar com milhares de imigrantes, principalmente da Tunísia, que aportaram na ilha de Lampedusa nas últimas semanas fugindo dos conflitos no norte da África.

"Que todas as pessoas de bem abram seus corações para recebê-los, para que as necessidades urgentes de tantos irmãos e irmãs sejam atendidas com uma resposta conjunta num espírito de solidariedade", disse o papa.

No começo do mês, aumentaram as tensões entre a França e a Itália depois que os franceses temporariamente fecharam suas fronteiras a trens italianos que traziam imigrantes africanos. A crise de imigração vai estar no centro de uma reunião entre o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em Roma, na terça-feira.

Bento 16 também pediu a restauração da coexistência pacífica na Costa do Marfim, dizendo que o país "precisa urgentemente trilhar o caminho do perdão e da reconciliação" para curar as feridas causadas pela violência recente.

O domingo de Páscoa, quando os cristãos celebram a ressurreição de Cristo depois da crucificação, acontece uma semana antes da beatificação do papa João Paulo 2o, um evento que deve atrair centenas de milhares de pessoas a Roma.

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