Na última missão, Columbia contribuiu com pesquisa do Inpe

Na mesma semana da explosão do ônibus Columbia o astronauta israelense Ilan Ramon, morto no acidente, conseguiu registrar, pela primeira vez no espaço, imagens do fenômeno elves, alvo de estudo do projeto MEIDEX, um dos 80 levados a bordo na nave espacial.As imagens e informações sobre o fenômeno foram enviadas pelo israelense à comunidade científica, inclusive ao Brasil. "Foi uma das últimas contribuições do Columbia", diz o cientista brasileiro Osmar Pinto Júnior. Aqui no país, os fenômenos elves e sprites, clarões que ocorrem na atmosfera quando há tempestade, começaram a ser estudados recentemente, em novembro passado pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Os nomes - elves e sprites - foram retirados da mitologia escandinava e significa elfos (uma espécie de duentes) e fadas.A região estudada envolve os Estados de São Paulo, Minas Gerais e norte do Paraná. Nos Estados Unidos, sprites e elves foram observados com mais freqüência e começaram a ser estudados há dez anos. A partir da pesquisa americana notou-se que estes clarões estão associados a relâmpagos. Os dois fenômenos acontecem na atmosfera e raramente podem ser vistos a olho nu.Sprites são clarões em forma de cilindros avermelhados que ocorrem acima do topo das nuvens e geralmente precedem a aparição de elves, clarões em forma de disco, na cor laranja. "Esta foi a segunda vez que a Nasa tentava identificar estes fenômenos de um ônibus espacial." Segundo o coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica, único a fazer este tipo de pesquisa no país, os estudos tentam detectar futuras implicações dos fenômenos para a natureza e para o homem. "As pesquisas são recentes, mas pode-se dizer que os fenômenos podem afetar a comunicação de satélites e a aviação de maneira geral". No Brasil, estes fenômenos podem ser mais freqüentes do que se imagina. O Grupo de Eletricidade aguarda a divulgação a ser feita pela Nasa, de outras informações da última pesquisa feita pelo israelense Ilan Ramon. "Os dados não se perderam. Foram enviados antes da explosão e certamente vão contribuir com as pesquisas que vem sendo feitas, inclusive no Brasil" afirmou o pesquisador.VEJA O ESPECIAL

Agencia Estado,

04 de fevereiro de 2003 | 16h31

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