Nações pobres devem fixar metas climáticas, diz Lula

Apesar de não ter especificado metas, presidente disse que mundo deveria reduzir de 60% a 80% as emissões

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

02 de julho de 2008 | 04h52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva instou os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, a se juntarem às nações desenvolvidas no estabelecimento de metas para reduzir as emissões de gases poluentes responsáveis pelo aquecimento global. "Todos os participantes, incluindo o Brasil, devem fixar uma meta de redução de acordo com suas próprias emissões de gases estufa", disse Lula em entrevista ao jornal japonês Yomiuri Shimbun, publicada nesta quarta-feira, 2. Apesar de não ter especificado as metas do Brasil, Lula disse que o mundo deveria reduzir de 60% a 80% as emissões até 2050. O presidente fez as observações antes de sua visita ao Japão para participar de uma cúpula sobre mudança climática com líderes do G-8, que será organizada paralelamente ao encontro anual do grupo, entre 7 e 9 de julho, em Hokkaido (norte do Japão). As negociações internacionais sobre um novo tratado climático, que cobriria o período após o encerramento das obrigações do Protocolo de Kyoto em 2012, têm sido dificultadas por desentendimentos entre as nações em desenvolvimento e os países ricos. Os Estados Unidos, a principal nação rica a não participar do Protocolo de Kyoto, argumentam que qualquer acordo futuro precisa envolver rapidamente as nações de crescimento emergente, como a China e a Índia. Algumas nações do bloco de desenvolvimento dizem que os países ricos são historicamente responsáveis pelo aquecimento global e devem tomar a liderança na redução das emissões. Na entrevista, Lula pediu ao primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, que presidirá a cúpula, a garantia de que as nações pobres não trabalhem em vão por um acordo climático.  O presidente também afirmou que o Brasil planeja sediar a conferência internacional sobre os biocombustíveis, em novembro, convidando líderes mundiais, pesquisadores e empresários. O País está liderando a produção mundial de etanol, elogiada por defensores por reduzir as emissões provocadas pelos combustíveis fósseis. Mas os críticos dizem que a popularidade do combustível tem colaborado para a alta dos preços dos alimentos. "Quando falo sobre os biocombustíveis, não estou considerando beneficiar somente o Brasil", disse Lula ao jornal.

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