Nanopartícula leva remédio para dentro de tumor

Cientistas do Instituto de Nanotecnologia para Medicina e Ciências Biológicas fabricaram moléculas capazes de transportar remédios direto às células cancerosas. "A nanotecnologia nos permite fabricar materiais que são milhares de vezes menores que a menor célula do corpo", disse nesta sexta-feira James Baker, professor e diretor do Instituto, ligado à Universidade de Michigan.O "cavalo de Tróia" funciona com uma nanopartícula, batizada de dendrímero e desenhada para introduzir um fármaco anticâncer nas células do tumor, onde o efeito do remédio aumenta e a toxicidade diminui. Com um diâmetro menor do que cinco nanômetros, a partícula é pequena o suficiente para se introduzir através de pequenas aberturas nas membranas das células."A célula cancerosa pensa que está recebendo comida. Uma vez dentro, há veneno na nanopartícula que mata a célula", explicou o cientista.Quando a equipe de pesquisa de Baker forneceu a ratos com tumores a combinação de nanopartículas e metotrexato - poderoso remédio contra o câncer -, descobriu que esta era mais eficaz que o simples fornecimento do composto anticâncer."O crescimento de tumores em ratos se atrasou em 30 dias. Isto tem importância se considerarmos que um mês de um rato equivale a três anos de uma pessoa", disse Baker.Conter o câncerEmbora a pesquisa ainda esteja em etapa experimental, Baker e sua equipe estão convencidos do potencial da nanotecnologia para mudar de maneira radical a forma como os médicos tratam o câncer. Seria possível passar de tentar destruir as células cancerosas a tratar o câncer "como uma doença crônica e contê-la", como é feito, por exemplo, com diabete."Utilizando um tratamento baseado na nanotecnologia, seria possível manter o câncer sem crescer, permitindo que o paciente viva uma vida normal sem ter de erradicar o câncer", disse o professor.NanopartículasBaker explicou que estes materiais são tão pequenos que podem entrar facilmente nas células e mudar seu funcionamento. "Para comparar o tamanho de uma nanopartícula com o tamanho de uma célula, imagine um grão de areia em um campo de futebol", comparou. Um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro.Os pesquisadores do Instituto de Nanotecnologia da Universidade de Michigan também buscam usar tratamentos baseados na nanotecnologia utilizando outras drogas anticâncer que são eficazes, porém tóxicas, o que impossibilita sua aplicação."Com a nova tecnologia seria possível superar o problema da toxicidade e oferecer uma gama mais ampla de agentes terapêuticos para gente que sofre de câncer", afirmou Baker.A pesquisa é financiada pelo Instituto Nacional do Câncer dos EUA. A Avidimer Therapeutics, uma companhia farmacêutica de Ann Arbor, no Estado do Michigan, tem os direitos de licença da nova tecnologia. Baker tem um grande interesse financeiro nessa companhia, segundo informou o Instituto de Nanotecnologia.

Agencia Estado,

04 de novembro de 2005 | 14h57

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