Divulgação/AEB
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Nanossatélite brasileiro é enviado ao espaço

Com formato de cubo de 10 centímetros, satélite desenvolvido por alunos do ITA foi lançado a partir da Estação Espacial Internacional

Fábio de Castro, O Estado de S. Pualo

05 Fevereiro 2015 | 20h35

O cubesat AESP-14, primeiro nanossatélite integralmente desenvolvido no Brasil, foi lançado nesta quinta-feira, 5, às 10h50 da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), que fica em órbita a cerca de 340 quilômetros da Terra. O AESP-14, que pesa quase um quilo e tem o formato de um cubo de 10 centímetros de aresta, foi projetado, fabricado e montado por alunos de graduação e pós-graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O objetivo é ensinar engenharia de sistemas para alunos do ITA, utilizando como caso de estudo um projeto de missão espacial real.

Os cubesats - termo que remete às palavras "cubo" e "satélite" em inglês - são satélites miniaturizados, ou nanossatélites, utilizados em geral para pesquisas espaciais acadêmicas e comunicações radioamadoras. Com apoio institucional do ITA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o projeto teve apoio financeiro da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). De acordo com a AEB, a iniciativa é importante para formação de recursos humanos brasileiros em áreas ligadas à engenharia espacial.


No dia 10 de janeiro, o AESP-14 foi enviado à ISS pelo lançador Falcon 9, da empresa SpaceX, dos Estados Unidos, sob contrato da Nasa. O nanossatélite ancorou dois dias depois na ISS, a bordo da cápsula Dragon, junto com mais de 250 experimentos científicos e outros suprimentos.

Nesta quinta, o AESP-14 foi ejetado da ISS por meio do dispositivo JEM Small Satellite Orbital Deployer (J-SSOD), uma espécie de canhão para lançamento de cubesats, anexado a um braço robótico que fica na parte externa do Kibo, o módulo japonês da ISS.

O AESP-14 é equipado com um modem em banda UHF, que foi ativado 30 minutos após o lançamento, para um experimento radioamador do Clube de Radioamadores de Americana (CRAM). O modem transmitirá 100 sequências de textos contendo informações relacionadas à história da ciência nacional. Os 10 primeiros radioamadores no mundo que conseguirem captar e decodificar as 100 sequências receberão um certificado comemorativo que será oferecido pelos gerentes do projeto.

O modem tem potência de 500 mW operando na frequência de 437.600 MHz. O cubesat transmitirá informações com uma taxa de 9600 bps padrão G3RUH na modulação GFSK. Para a comunidade radioamadora receber os frames de telemetria e decodificá-los, o documento básico está disponível no site do projeto AESP-14.

A AEB desembolsou R$ 250 mil para o desenvolvimento do satélite e o CNPq forneceu R$ 150 mil em bolsas para pesquisas. A AEB financiou US$ 555 mil em um pacote que inclui três lançamentos de nanossatélites. Além do AESP-14, deverão ser lançados ainda em 2015 o Sistema Espacial para a Realização de Pesquisa e Experimentos com Nanossatélites (Serpens) e o Tancredo-1.

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