Nanotecnologia usa movimento do corpo para gerar energia

Atrito entre fibras revestidas de metal gera potência poderá ser suficiente para alimentar um celular

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

13 de fevereiro de 2008 | 16h00

Peças de roupa capazes de transformar a energia das passadas, ou mesmo dos batimentos cardíacos, em eletricidade suficiente para alimentar um telefone celular ou um iPod poderão chegar ao mercado por volta de 2013, diz o cientista Zhong Lin Wang, do Instituto de Tecnologia da Georgia (EUA). Ele é um dos criadores da fibra básica desse novo material, descrito na edição desta semana da revista Nature.   "Isso (o prazo de chegada ao mercado) depende da próxima fase da pesquisa", disse Wang. "Minha estimativa é de cinco anos".   Wang e seus colegas usaram nanotecnologia para revestir fios de Kevlar - a fibra usada em coletes à prova de balas - com minúsculos bastões radiais de óxido de zinco, cada um com de 50 a 200 nanômetros (bilionésimos de metro) de diâmetro e 3,5 micrômetros (milionésimos de metro) de comprimento.   Em comparação, um fio de cabelo humano tem cerca de 100 micrômetros de espessura.   Vistas em fotos de microscópio eletrônico, as fibras de Kevlar revestidas assemelham-se a florestas densas, onde os bastões de zinco assumem o papel de "árvores".   No arranjo experimental descrito na Nature, esse fio foi envolto por outro produzido da mesma forma, mas cujo revestimento de zinco havia sido folheado a ouro. O contato entre os fios foi executado de modo que suas respectivas "florestas" acabassem emaranhadas.   "Usamos ouro porque era o que havia no laboratório", explica Wang. "Outros metais, como alumínio ou cobre, teriam funcionado do mesmo modo". A camada depositada de metal precioso tinha 300 nanômetros de espessura.   Um sistema mecânico então foi montado para esticar e relaxar o fio central do emaranhado em ritmo lento, simulando o tipo de estresse que fibras de roupa sofrem com os movimentos normais do corpo humano. Com isso, os bastões revestidos de ouro passaram a pressionar os bastões do fio em movimento.   Como o óxido de zinco é um material piezoelétrico - que pode gerar corrente elétrica quando pressionado ou deformado - o resultado foi a conversão da energia do movimento em potência elétrica.   A equipe de Wang afirma que deverá ser possível usar a mesma técnica para criar fontes de energia "flexíveis, dobráveis e vestíveis em qualquer forma, como uma 'camisa elétrica'".   O trabalho estima que uma trama desses fios poderá de gerar entre 20 e 80 miliwatts por metro quadrado de tecido. "Em média, um iPod ou celular consome cerca de 100 miliwatts, uma vez em uso", diz Wang. "Ao acumular a carga gerada enquanto o aparelho está em stand-by, deverá ser possível energizá-lo sempre que necessário".   O pesquisador afirma ainda que aperfeiçoamentos no design e nos materiais usados para criar as fibras piezoelétricas poderão melhorar a eficiência desse tipo de tecido.

Tudo o que sabemos sobre:
naturenanotecnologiaipodcelular

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.