Napoleão não foi envenenado com arsênico, diz estudo

Análise de fios de cabelos do imperador constata que a quantidade do veneno não era significativa

12 de fevereiro de 2008 | 08h51

Foi descartada a hipótese de que, quando era prisioneiro na ilha de Santa Elena - local onde morreu -, Napoleão teria sido envenenado com arsênio por seus guardas.   Utilizando a física nuclear, cientistas italianos realizaram uma nova análise dos cabelos do imperador francês e constataram que o conteúdo de arsênio - elemento químico que, juntamento com o oxigênio, compõe o veneno arsênio branco, ou arsênico - no final de sua vida não era significativo.   Contudo, o estudo não exclui a possibilidade de que a exposição a tal substância durante sua vida tenha contribuído para sua morte.   Foram analisadas amostras de cabelos de Napoleão de várias épocas: quando ainda era criança, durante seu exílio na ilha de Elba, no dia de sua morte em Santa Elena (5 de maio de 1821) e um dia após sua morte. Também analisaram amostras do cabelo de seu filho, o rei de Roma, dos anos 1812, 1821 e 1826 e da imperatriz Josefina, recolhidos quando morreu em 1814. Os fios de cabelos foram cedidos pelos museus de Parma, Paris e Roma. Para estabelecer um parâmetro, foram analisadas amostras de cabelos de 10 pessoas vivas.   Os cabelos de Napoleão foram colocados em cápsulas que foram introduzidas num pequeno reator nuclear. Com uma técnica de ativação de nêutrons, que não danifica a amostra, se comprovou que todos os objetos analisados apresentavam arsênio. Porém, o conteúdo do elemento encontrado nos fios de quase 200 anos é, ao menos, 100 vezes maior do que a quantidade encontrada nos cabelos atuais, o que indica que, no início do século XIX, se ingeriam compostos de arsênio numa quantidade considerada perigosa atualmente.   No entanto, o estudo aponta que o conteúdo de arsênio não variou ao longo da vida de Napoleão, o que exclui a teoria de que o imperador foi envenenado, explicam os cientistas do Insituto Nacional de Física Nuclear, responsáveis por publicar a análise na revista Il Nuovo Saggiatore.

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