Nasa declara encerrada a missão Phoenix em Marte

Programada para durar 90 dias, a Phoenix operou por 5 meses e obteve 'sucesso científico'

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

10 de novembro de 2008 | 19h45

Projetada para durar 90 dias, a missão da sonda Phoenix em Marte foi encerrada nesta segunda-feira, 10, após cinco meses de atividade na região ártica do planeta vermelho. Ao anunciar o encerramento, o gerente do projeto, Barry Goldstein, explicou a que a sonda está sem comunicação com a Terra desde o dia 2 de novembro.    Nasa decide insistir no envio de missão a Marte para 2009  Composto de cloro no solo de Marte surpreende a Nasa  Phoenix vê neve em Marte que evapora antes de tocar o solo   Dias antes desse último contato, a sonda havia sido atingida por uma tempestade de areia que comprometeu sua capacidade de gerar energia. "As sondas orbitais vão continuar tentando ouvir a Phoenix por mais três semanas", disse Goldstein. "Mas ninguém aqui tem grandes esperanças". A região de Marte onde a Phoenix se encontra está a caminho do inverno, e a cada dia a sonda tem menos luz solar disponível para converter em eletricidade. Além disso, a temperatura ambiente é cada vez menor, o que exige um esforço maior para manter os instrumentos em condições de operar.   Doug McCuistion, diretor do programa de exploração de Marte da Nasa, disse que a missão foi um sucesso, tendo cumprido dos os seus objetivos científicos. "A missão já era um sucesso em agosto", declarou. "A Nasa conseguiu tudo o que queria".   O principal cientista da missão, Peter Smith, fez um resumo das conquistas científicas da Phoenix: "Descobrimos o gelo, escavamos o gelo, sabemos onde ele está e a que profundidade. Fizemos cerca de 25 mil fotos, registramos a cor e o tamanho dos grãos de areia do solo. Com o microscópio de força atômica, vimos detalhes nunca vistos antes. Temos um registro completo do clima, vimos nuvens no céu e neve caindo".   Quanto às principais questões que levaram a Phoenix a Marte - se a o ártico do planeta vermelho é ou já foi habitável, e se há sinais de vida, passada ou presente, na região - Smith disse que ainda é cedo para dar o veredicto. "Nossa equipe de cientistas agora vai levar os resultados que temos ao laboratório e fazer testes em busca das interpretações finais", disse.   O brasileiro Ramon Perez de Paula, um dos administradores da missão, disse ao estadao.com.br que a questão da presença - ou ausência - de matéria orgânica no solo poderá levar meses, ou anos, para ser resolvida. "E poderá ser inconclusivo", avisa. "O fato dessa matéria não ter sido achada imediatamente durante a missão dificultará muito a prova desse resultado, mais tarde".   Smith afirmou acreditar que, se o ártico marciano hoje é frio demais para suportar vida, "ao menos como entendemos a vida", a região, num clima mais ameno que pode ter existido no passado de Marte, teria sido habitável. "Há nutrientes, há uma fonte de energia", declarou, referindo-se a descobertas, feitas em análises do solo, de nutrientes inorgânicos e de percloratos, um tipo de substância que algumas bactérias da Terra usam para obter energia.   "É uma grande satisfação poder ter participado desta missão", disse De Paula. "Provamos que mais um planeta do nosso sistema solar tem gelo, e talvez tenha tido água líquida corrente. Agora, o importante é procurar entender um pouco mais da história desse planeta, e trazer esses novos conhecimentos para a ajudar preservar nosso lindo planeta Terra".   Missões futuras   McCuistion disse que a Nasa ainda pretende lançar o Mars Science Laboratory (MSL), um robô móvel para exploração de Marte, em 2009. O projeto do MSL sofreu com atrasos e dificuldades orçamentárias. "E os problemas ainda não estão todos resolvidos", reconheceu.   Para 2013, está previsto o lançamento da sonda orbital Maven - Mars Atmosphere and Volatile Evolution, ou Evolução da Atmosfera e Voláteis de Marte - a fim de dar continuidade ao estudo do planeta vermelho. 

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