NASA desenvolve telescópio para ver diamantes no espaço

Diamantes, muito mais comuns no espaço que na Terra, podem agora ser encontrados com facilidade

26 de fevereiro de 2008 | 19h15

Diamantes podem ser raros na Terra, mas são surpreendentemente comuns no espaço - e os super sensíveis olhos infravermelhos do telescópio Spitzer Space da NASA são perfeitos para procurá-los, dizem os cientistas do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia.  Usando simulações por computador, pesquisadores desenvolveram uma estratégia para achar diamantes no espaço que medem apenas um nanômetro (um bilionésimo de metro). Essas gemas são aproximadamente 25.000 vezes menores que um grão de areia, pequenas demais para um anel de noivado. Entretanto astrônomos acreditam que essas pequenas partículas podem prover informações valiosas sobre como moléculas ricas em carbono, base da vida na Terra, se desenvolvem no cosmos - uma vez que diamantes são uma das formas de apresentação do elemento.  Cientistas começaram a pensar seriamente sobre a presença de diamantes no espaço no início da década de 1980, quando estudos de meteoritos que caíram na Terra apresentavam grande número de minúsculos diamantes. Astrônomos determinaram que 3% de todo o carbono encontrado nos meteoritos vinha em forma de nanodiamantes.Se os meteoritos são um reflexo do conteúdo do espaço, cálculos mostram que um grama de poeira e gás de uma nuvem estrelar poderia conter até 10.000 trilhões de nanodiamantes. "A pergunta que sempre se fez foi: se nanodiamantes são tão abundantes no espaço, porque nós não os achamos com mais freqüência?" disse Charles Bauschlicher do Centro de Pesquisa de Ames. Eles tinham sido vistos apenas duas vezes. "A verdade é que nós simplesmente não sabíamos o suficiente sobre suas propriedades infravermelhas e eletrônicas para detectar suas marcas."  Para resolver esse dilema, Bauschlicher e sua equipe de pesquisa usaram um software de computador para simular as condições da interestrelar média - espaço entre as estrelas - cheia de nanodiamantes. Eles encontraram que esses diamantes espaciais brilhavam muito em luz infravermelha de 3.4 a 3.5 microns e de 6 a 10 microns, a que Spitzer é particularmente sensível.  Astrônomos deveriam ser capazes de ver diamantes celestes olhando suas "marcas infravermelhas": algo como assinaturas de luz que cada molécula individual adquire ao ser atingida pela luz de estrelas próximas. Membros da equipe desconfiam que mais diamantes não foram vistos no espaço ainda porque astrônomos não estariam olhando para os lugares certos, com os instrumentos certos. Como diamantes são feitos de moléculas de carbono fortemente unidas, uma grande quantidade de energia é exigida para que a luz ultravioleta faça o diamante produzir sua "marca de luz". Assim, os cientistas concluíram que o melhor lugar para ver um diamante brilhar é perto de uma estrela quente. Outro mistério era entender o ambiente interestrelar e como ele colabora para a formação de diamantes. "Diamantes espaciais são formados sob condições muitos diferentes que na Terra," disse Louis Allamandola, também de Ames. Ele conta que diamantes na Terra formam-se sob imensa pressão, bem abaixo da crosta terrestre, onde as temperaturas são muito altas. No entanto, diamantes espaciais são achados em nuvens moleculares frias onde as pressões são infinitamente menores e as temperaturas próximas a - 240° Celsius.  "Agora que sabemos onde olhar por nanodiamantes brilhantes, telescópios de infravermelho como o Spitzer podem nos ajudar a entender melhor sobre sua vida no espaço," afirmou Allamandola.  O trabalho de Bauschlicher sobre esse tópico foi aceito para publicação no Astrophysical Journal. Allamandola foi seu co-autor juntamente com Yufei Liu, Alessandra Ricca, and Andrew L. Mattioda, todos de Ames.

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