Nasa lança Deep Impact para conhecer origem do universo

A Nasa (agência espacial americana) lançou nesta quarta-feira a nave "Deep Impact", que, pela primeira vez na história da exploração espacial, abrirá uma enorme cratera num cometa para descobrir os segredos acerca da origem do universo. A missão, que criou grande expectativa em círculos científicos, partiu às 13 horas e 47 minutos (16h47 de Brasília) de uma base em Cabo Canaveral (Flórida).Ao final da viagem sem retorno de 431 milhões de quilômetros, a Deep Impact vai lançar um veículo-projétil de um metro de altura por um de largura, 372 quilos de peso e reforçado com cobre. O veículo se com o alvo da missão, o cometa Tempel 1, a uma velocidade de 37.000 quilômetros por hora. A espetacular colisão, comparada com a detonação de 4,5 toneladas de dinamite, está programada para o próximo 4 de julho, data em que os EUA comemoram sua independência. A idéia é formar uma enorme cratera, da altura de um edifício de dez andares e da largura do Coliseu de Roma.O encontro espetacular será registrado por câmeras especiais e instrumentos montados na nave mãe, que farão medições sobre a composição do cometa. A Nasa também preparou os telescópios espaciais Chandra, Hubble e Spitzer para observar o processo. As fotografias e demais imagens serão enviadas para a Terra através das antenas do "Deep Space Network". Michael A´Hearn, professor de astronomia da Universidade de Maryland e pesquisador chefe da missão orçada em US$ 350 milhões, justificou o uso do aparato eletrônico: "Sabemos tão pouco da estrutura do núcleo de um cometa que precisamos de equipes excepcionais para captar o acontecimento".O objetivo principal da operação, contudo, é averiguar quais eram as condições existentes quando o Sistema Solar foi criado. Isso seria possível a partir da análise das substâncias presentes no interior do cometa, segundo Orlando Figueroa, diretor adjunto de Programas Científicos da Nasa. "Esta missão é de suma importância para a prospecção do espaço e especialmente para entender as origens do Sistema Solar e o funcionamento do universo", disse.O cometa Tempel 1, um dos inúmeros cometas do Sistema Solar, foi descoberto por acaso em 1867 pelo francês Ernst Wilhelm Leberecht Tempel. Ele entra no Sistema Solar a cada cinco anos e meio. Com esse dado, os cientistas lançaram a missão "Deep Impact" para que o encontre em seis meses. Por enquanto, os cientistas desconhecem exatamente o que ocorrerá no momento do impacto e o tipo e tamanho da cratera que se formará. Ao chocar com o cometa, o veículo-projétil se desintegrará totalmente.

Agencia Estado,

12 de janeiro de 2005 | 18h25

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.