Nasa prepara anúncio sobre perspectiva de vida em Marte

A revista Aviation Week diz que descobertas foram feitas sobre a capacidade do planeta para suportar vida

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

04 de agosto de 2008 | 17h40

A Nasa convocou para esta terça-feira, 5, uma entrevista coletiva para divulgar novos resultados de análises químicas realizadas pela sonda Phoenix e que têm impacto na capacidade do planeta Marte de suportar, ou já ter suportado, vida.    Nasa confirma água em Marte e prorroga missão da Phoenix  Cassini confirma existência de lago em lua de Saturno  Cratera mexicana pode fornecer pistas sobre Marte   A convocação da coletiva foi precipitada, aparentemente, por reportagem da revista Aviation Week, que no fim de semana disse que a assessoria científica do presidente dos EUA, George W. Bush, teria sido informada de descobertas "provocativas" feitas por um dos instrumentos da sonda Phoenix, o Meca (sigla em inglês para analisador de microscopia, eletroquímica e condutividade). Essas descobertas seriam "muito mais complexas" do que a constatação da existência de água congelada no planeta, confirmada em coletiva concedida na quinta-feira, 31.   A página da Phoenix na rede social Twitter traz duas notas curtas, dando conta de que "alegações de que houve um informe para a Casa Branca são falsos" e de que "notícias de que eu poderia ter descoberto vida em Marte são incorretas".   Nota divulgada no final da tarde pela Nasa informa que cientistas trabalham para confirmar ou descartar um resultado obtido pelo Meca, dando conta que o solo marciano contém percloratos, uma classe de substâncias altamente reativas - na Terra, percloratos são utilizados na composição de explosivos, como combustível de foguetes e em alguns medicamentos; na água e no solo, são tratados como contaminantes. Resultados posteriores, de outro instrumento, falharam em encontrar percloratos.   "Estamos comprometidos com rigorosos processos científicos. Embora não tenhamos completado nosso processo nas amostras de solo, temos resultados intermediários muito interessantes", disse o principal responsável pela parte científica da missão, Peter Smith, da Universidade do Arizona, em nota. "Análises iniciais do Meca sugeriram solo senelhante ao da Terra. Análises subseqüentes revelaram aspectos pouco terrestres da química do solo". Os primeiros resultados do Meca haviam indicado a presença de nutrientes minerais no solo.   Água   Alguns cientistas ligados à missão da Phoenix acreditam que marcas produzidas no solo marciano pelos jatos da sonda, durante o pouso, representam evidência da presença de água em estado líquido. Uma forte concentração de sais impediria o congelamento dessa água, mesmo nas baixas temperaturas marcianas - a mínima chegou a -80º C na região onde a Phoenix está, em dias recentes.  A presença de água líquida é vista como requisito para a possibilidade de haver vida, atualmente, em Marte.   Sobre reportagem publicada nesta segunda-feira, 4, pelo jornal Folha de S. Paulo, informando que a suspeita de presença de água líquida em Marte já teria sido confirmada pela equipe científica da Phoenix, o administrador da missão, Ramon De Paula, diz que "hoje não vemos água liquida correndo". De Paula lembra que artigo científico publicado recentemente na revista Nature mostra que Marte já teve água corrente, mas no passado.

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