Nasa se lança na busca por vida extraterrestre

Cientistas descartam possibilidade de que exista algum atividade biológica como a que conhecemos na Terra

Orlando Lizama, Efe

04 de março de 2009 | 19h37

A Nasa, agência espacial americana, porá esta semana em andamento sua primeira missão com capacidade para responder a um dos principais questionamentos da humanidade: existe vida além da Terra? Os cientistas descartaram virtualmente toda possibilidade de que exista algum tipo de atividade biológica como a que conhecemos na Terra. Com isso, a esperança de encontrá-la está nos exoplanetas, corpos que giram em torno de outras estrelas além do sistema solar. Até agora, a partir de diversos sistemas de detecção, os astrônomos confirmaram a existência de mais de 320 desses planetas. E no começo dessa busca a agência espacial americana lançará o observatório Kepler que partirá na sexta-feira do Cabo Canaveral, na Flórida, em uma longa viagem cósmica junto ao foguete Delta II Será a primeira missão com a capacidade de encontrar lugares como a Terra, planetas rochosos que se encontrem em uma área quente em que se possa manter em sua forma líquida a água, elemento essencial para a formação da vida, conforme disse a Nasa em comunicado. "O Kepler é um componente crucial dos esforços da Nasa para encontrar e estudar planetas com características similares às da Terra", assinalou Jon Morse, diretor de astrofísica da agência espacial em Washington. Segundo o cientista, o censo planetário que o Kepler fará ajudará a compreender a frequência em que existem esses planetas na Via Láctea. Também contribuirá para o planejamento de outras missões que, em um futuro a médio prazo, detectem diretamente e transmitam informação sobre as características dos mundos que existam em torno de estrelas vizinhas. Após uma viagem intergaláctica de 3,5 anos, o Kepler iniciará a busca na "minúscula" região de Cygnus-Lyra, que contém cerca de 100 mil estrelas similares ao Sol. Com seus instrumentos, o Kepler determinará a existência dos exoplanetas através das mudanças de luz que suas estrelas reflitam quando passarem entre elas e o observatório. Teoricamente, se esses corpos observados pelo Kepler forem similares à Terra, teriam que completar uma órbita de cerca de um ano em torno de sua estrela. Uma vez detectado um desses planetas, seu estudo poderá ser contínuo pelos telescópios Hubble e Spitzer da Nasa, como informou a agência espacial americana. O Kepler poderá estudar as estrelas de maneira constante durante toda sua missão, algo que outros observatórios não podem fazer, como o Hubble. Para isso, o observatório contará com instrumentos que estão entre os mais poderosos produzidos até agora para a prospecção científica do espaço, como uma câmera com resolução de 95 megapixels. "Se o Kepler observar um povo terrestre durante a noite a partir do espaço, poderá captar uma mudança na intensidade da luz causada por uma pessoa que passe em frente a um farol", explicou James Fanson diretor do projeto no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa. Segundo Debra Fischer, astrônoma da Universidade Estatal de San Francisco, uma vez que chegue a seu destino na próxima década, o Kepler será um instrumento básico para saber que tipo de planetas giram em torno de outras estrelas. Com Spitzer, suas descobertas serão utilizadas imediatamente para analisar as atmosferas dos exoplanetas. E as estatísticas recolhidas levarão a determinar o rumo que deverá ser seguido para estabelecer se efetivamente há "um planeta de cor azul que orbita outra estrela em nossa galáxia", assinalou.

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