Samantha Cristoforetti/ESA/Nasa/Reuters
Samantha Cristoforetti/ESA/Nasa/Reuters

Nasa vai captar imagens dos limites da atmosfera em nova missão espacial

Agência lançará um espectrógrafo de imagens ultravioletas em um satélite geoestacionário para medir as densidades e temperaturas

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 23h46

WASHINGTON - A Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa, na sigla em inglês) inspecionará a região na qual a atmosfera da Terra se encontra com o espaço durante os próximos dois anos para melhorar a compreensão do entorno espacial mais próximo do planeta.

+++ 'Superlua do ano-novo' foi a segunda mais brilhante desde 2000

A agência lançará um espectrógrafo de imagens ultravioletas em um satélite geoestacionário para medir as densidades e temperaturas nas últimas camadas da atmosfera, uma região que foi pouco estudada até o momento.

+++ Cientistas descobrem nova 'super-Terra' na órbita de estrela vizinha

"Esta missão é muito importante para poder ter uma imagem mais ampla dessa região, para ser capaz de entender questões que ainda não conseguimos explicar e para colocar em contexto outras descobertas", explicou Richard Eastes, pesquisador principal da missão, batizada de Gold.

+++ Vulcão no Equador é o local mais distante do centro da Terra

A missão, cujo lançamento está programado para o próximo dia 25 na Guiana Francesa, será a segunda com o objetivo de compreender melhor esta região do espaço nas últimas semanas.

A Nasa lançou uma missão complementar a essa no dia 8 de dezembro, quando enviou ao espaço o satélite Icon para entender como a atmosfera da Terra interage com o espaço próximo e sua influência na confiabilidade dos sinais de comunicação.

A missão Gold, por sua vez, captará imagens e fará medições de uma altitude superior, que serão utilizadas, junto com modelos avançados da termosfera e da ionosfera, para "revolucionar" a compreensão do entorno espacial, segundo Eastes, do Instituto Espacial da Flórida.

Outra cientista encarregada da missão Gold, Sarah Jones, do Goddard Space Flight Center da Nasa, comparou o estudo dos furacões com a interconexão entre estas duas missões espaciais. "Para estudar furacões, devemos usar um satélite meteorológico para rastrear como o ciclone está se movimentando através do oceano, mas para obter informações mais detalhadas, é necessário voar com um avião através da tempestade."

"A missão Golf seria o mesmo que o satélite meteorológico, enquanto o satélite Icon seria o avião", acrescentou a especialista.

O limite entre a atmosfera terrestre e o espaço exterior é uma região historicamente difícil de ser observada e pouca compreendida, que responde tanto à atmosfera inferior em sua parte mais baixa, como ao caos do clima espacial na parte de cima.

Nesse sentido, o diretor-associado da divisão de Ciência de Heliofísica no Goddard Space Flight Center da Nasa, Alex Young, indicou que a possibilidade de fazer duas missões de maneira simultânea, partindo de diferentes enfoques, para conhecer melhor os limites da atmosfera é "emocionante".

"Esta é a melhor maneira de estudar heliofísica: com uma visão remota de alta qualidade e com um aparelho voando no meio", enfatizou Young.

Determinar como as tempestades geomagnéticas alteram a temperatura e a composição da termosfera da Terra e analisar a resposta em escala global dessa camada da atmosfera às variações solares são dois dos maiores objetivos desta missão.

 

Além disso, os cientistas pretendem investigar a importância das ondas atmosféricas e das marés que se propagam da Terra sobre a estrutura da temperatura da termosfera.

"No passado, acreditava-se que esta região fosse afetada principalmente pelo Sol, mas, nos últimos dez anos, surgiram evidências que indicam que o que acontece embaixo tem muita relevância também", relatou Jones.

Segundo explicaram os especialistas, a missão Gold consiste em um instrumento do tamanho aproximado de uma pequena geladeira que voará a bordo de um satélite comercial de comunicações, o SES-14, convertendo-se assim na primeira missão científica da Nasa a fazer isto desta forma. /EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.