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Nasce em Bauru (SP) o primeiro pinguim concebido em zoológico do País

Antes dele, apenas três aves haviam sido geradas em cativeiro, todas em aquários do litoral paulista

Chico Siqueira, especial para o Estado,

02 Janeiro 2013 | 20h06

ARAÇATUBA - Depois de 25 anos de trabalhos para a conservação da espécie, o Zoológico de Bauru conseguiu gerar seu primeiro filhote de pinguim-de-magalhães. O filhote, que nasceu em 16 de dezembro, é o primeiro a nascer num zôo do País. Antes dele, apenas três pinguins, nascidos em aquários do litoral paulista – um em Santos e dois no Guarujá –, tinham sido gerados em cativeiro no Brasil.

“Desde 1987 estamos trabalhando na conservação desta espécie e agora conseguimos esta importante vitória”, disse o diretor do zoo de Bauru, Luiz Antônio Pires. Segundo Pires, os pais são um pinguim macho, recuperado em Ubatuba, que está há seis anos em Bauru, e uma fêmea, recuperada  pelo Instituto de Mamíferos Marinhos de Salvador (BA), que está há quatro anos em Bauru.

Pires explicou que os pinguins de Magalhães encontrados nas praias chegam fracos depois de desgarrarem das correntezas de água quente que os trazem para o litoral brasileiro. “Eles chegam para morrer nas nossas praias e o trabalho de recuperação das espécies é muito importante para evitar que isso aconteça”, diz. Naturais da região Sul da América do Sul (Estreito de Magalhães, Patagônia e Ilha Maldivas), os pinguins possuem em média de 3,8 kg a 4,2 kg, mas quando chegam às praias brasileiras estão com cerca de 1,4 kg a 1,6 kg, e uma grande carga de parasitas, por isso geralmente são encontrados mortos ou muito fracos.

Mas para conseguir gerar o primeiro filhote, o zoo de Bauru precisou aproximar a câmara dos pinguins para a realidade mais próxima do habitat da espécie. “Tivemos de fazer uma abertura para entrada de sol lateral, manter a temperatura média em 16 graus e colocar rochas para que eles fizessem suas tocas nas pedras”, contou. Mas uma das principais mudanças foi a introdução de mais aves. “A gente mantinha quatro pinguins, mas depois percebemos que poderíamos ter mais sucesso se colocássemos mais pinguins, uma vez que eles vivem em grupos numerosos”, contou Pires.

O zoo então passou a manter um número maior de pinguins na câmara. A mudança deu resultado e quando o novo bebê nasceu, existiam sete pinguins na câmara. “Essas mudanças foram fundamentais”, afirmou Pires. “Até mesmo para chocar o ovo, os pais se revezaram, assim como na vida selvagem”, disse. Em seu habitat os pinguins fazem revezamento: enquanto um pesca o outro choca o ovo, e vice-versa. No cativeiro, esse trabalho de caça não existe porque os pinguins recebem comida dada pelos tratadores. “Mesmo assim, eles se revezaram”, observou Pires.

Com o nascimento, abrem-se perspectivas. “Com um filhote nascido aqui poderemos estudar a espécie sadia –porque só recebemos pinguins doentes. Nosso objetivo é num futuro conseguir fazer a introdução na vida selvagem de espécies nascidas em cativeiro”, disse.

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