Nave da Nasa entra com sucesso na órbita de Marte

Nave da Nasa entra com sucesso na órbita de Marte

Nave Maven procura vestígios de água no planeta vermelho

IRENE KLOTZ, REUTERS

22 Setembro 2014 | 10h31

Uma nave espacial robô da Nasa ejetou seus foguetes de desaceleração no domingo, encerrando uma jornada de 10 meses para se colocar na órbita de Marte e começar uma caçada por vestígios de água no planeta vermelho.

Após viajar 71 milhões quilômetros, a nave nomeada Maven (sigla em inglês para Mars Atmosphere and Volatile Evolution), ejetou seus seis foguetes propulsores, reduzindo sua velocidade de 12.800 kmh para 16.093 kmh.

"Não tenho mais nenhuma unha, mas conseguimos", disse Colleen Hartman, vice-diretor de ciência da Nasa, no Centro Aeroespacial Goddard, em Greenbelt, no Estado norte-americano de Maryland, durante uma transmissão de TV sobre a missão da Maven.

A Maven vai estudar como os ventos solares retiram átomos e moléculas da atmosfera superior do planeta vermelho, um processo que cientistas acreditam estar em curso por milênios.

"Ao aprender sobre o processo que ocorre hoje, esperamos extrapolar para o passado e conhecer a história de Marte", disse o cientista John Clarke, vinculado à Universidade de Boston e dedicado à missão da Maven, em uma entrevista à Nasa TV.

Cientistas acreditam fortemente que Marte não foi sempre seco e frio como hoje. A superfície do planeta é coalhada com o que parecem ser cursos secos de rios, cheios de minerais que se formam na presença de água.

Mas para que a água se acumulasse na superfície do planeta, sua atmosfera deveria ser muito mais densa e espessa do que a atual. A atmosfera de Marte é hoje 100 vezes mais fina do que a da Terra.

Os cientistas suspeitam que Marte perdeu 99 por cento de sua atmosfera ao longo de milhões de anos, à medida que o planeta se esfriou e teve uma decaída em seu campo magnético, permitindo que partículas carregadas nos ventos solares afastassem moléculas de água e outros gases atmosféricos.

O aprendizado sobre como Marte perdeu sua água é crucial para entender se o planeta que mais se assemelha à Terra no sistema solar teve em algum dia as condições para o surgimento de vida.

A missão de 671 milhões de dólares da Maven está prevista para durar um ano.

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