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Nave de pesquisa fora de controle caiu sobre o Oceano Índico, diz Nasa

Nave TRMM ficou sem combustível em abril de 2014, mas continuou enviando dados científicos por mais um ano

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

16 Junho 2015 | 14h31

Depois de algumas horas de suspense, a nave espacial de pesquisa TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission) entrou de volta na atmosfera sobre o norte da África e caiu no meio do Oceano Índico hoje por volta das 11 horas, segundo a Nasa. Na segunda, a agência espacial norte-americana informou que a nave cairia nesta terça-feira, mas, por conta de variações naturais no ambiente próximo à Terra, não era possível prever o local exato. Só se sabia que a TRMM cairia sobre algum lugar da região tropical - entre os paralelos 35 norte e 35 sul - área que inclui todo o território brasileiro.

A TRMM é uma missão conjunta da Nasa com a Jaxa (Agência Espacial Japonesa), lançada em 1997 para estudar as chuvas no planeta, no contexto de pesquisas sobre clima e meteorologia. Inicialmente, a nave foi desenhada para ter uma vida útil de três anos, mas ela se manteve operacional ao longo de 17 anos, enviando grandes quantidades de dados científicos.

Em julho de 2014, os dados enviados pela TRMM revelaram que ela estava finalmente sem combustível e, portanto, sem condições de fazer as necessárias correções periódicas na órbita, a 402 quilômetros de altitude. A previsão inicial, na época, era que a órbita da nave continuaria se desestabilizando lentamente até que ela fosse destruída pela entrada de volta na atmosfera, estimada para fevereiro de 2016. A nave passou a entrar em um movimento espiral cada vez mais intenso e a missão foi oficialmente encerrada no dia 15 de abril de 2015.

Desde o fim oficial da missão, a trajetória da TRMM foi monitorada pela Rede de Vigilância Espacial dos Estados Unidos, operada pelo Departamento de Defesa do país, e pelo Comando Estratégico do Centro Conjunto de Operações Espaciais.

Na semana passada, a Nasa previu que a maior parte da TRMM deveria se desintegrar ao entrar na atmosfera, durante a queda sem controle - mas que cerca de 12 componentes da nave poderiam sobreviver ao impacto. A agência, no entanto, informou que a chance de uma dessas peças acertar alguém era de uma em 4,2 mil - que é considerada relativamente baixa. O peso total dos 12 componentes é de 112 quilos.

Segundo a Nasa, desde o início da era espacial, na década de 1950, não houve nenhum registro confirmado de pessoas feridas na reentrada de objetos espaciais na atmosfera. "Cerca de meia dúzia de restos de foguetes, satélites e outros detritos orbitais caem na Terra todos os anos", divulgou a Nasa em uma nota. 

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