Nasa/AFP
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Nave espacial New Horizons atinge ponto mais próximo de Plutão

Sonda da Nasa ficou a apenas 12,4 mil quilômetros do planeta anão após viagem que durou 9 anos e percorreu 5 bilhões de quilômetros

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

14 Julho 2015 | 09h47

Atualizada às 23h19

CABO CANAVERAL - Após nove anos, a nave espacial americana New Horizons fez história nesta terça-feira, 14, ao chegar ao ponto mais próximo de Plutão já alcançado. Às 8h49, no horário de Brasília, a nave da Nasa passou a apenas 12,4 mil quilômetros do planeta anão e completou o principal objetivo de uma jornada de 4,77 bilhões de quilômetros. 

É como se um observador do tamanho de uma bactéria atravessasse a distância de 400 quilômetros para ver, a um metro de distância, uma esfera do tamanho de uma bola de futebol de salão. As câmeras da nave, porém, são potentes o suficientes para observar o Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a altitude de 12 mil quilômetros.

Horas antes do sobrevoo histórico, a New Horizons teve todos seus instrumentos de comunicação desligados para se concentrar na captação de dados. Por 22 horas, ela se dedicou exclusivamente a captar imagens e informações científicas do planeta, produzindo cem vezes mais dados do que seria capaz de enviar para a Terra nesse intervalo. As informações são enviadas por ondas de rádio e viajam na velocidade da luz, levando 4 horas e 25 minutos para chegar à Terra.

Antes mesmo do encontro com Plutão, a New Horizons já havia enviado imagens que permitiram aos cientistas calcular o tamanho exato do planeta anão, que tem diâmetro de 2.370 quilômetros - dois a mais que o estimado anteriormente. A descoberta indica que a densidade do planeta é um pouco menor do que se pensava, assim como a quantidade de gelo em seu interior e a espessura da atmosfera de nitrogênio e metano. Às 21h55 desta terça, a Nasa informou que a nave finalmente voltara a enviar dados, indicando o sucesso total da missão. 

“O tamanho de Plutão era debatido desde a sua descoberta, em 1930. Estamos entusiasmados por finalmente podermos solucionar essa questão”, disse um dos cientistas envolvidos na missão, Bill McKinnon, da Universidade de Washington. Com o tamanho definido, Plutão passa a ser oficialmente o maior objeto conhecido do Cinturão de Kuiper, uma zona repleta de detritos congelados que flutuam além da órbita de Netuno. Em 2005, a descoberta de Eris, um objeto mais distante dessa região, fez com que os cientistas reclassificassem Plutão como um planeta anão. Eris era tão brilhante que parecia maior que Plutão, mas medições posteriores indicaram que Eris tem 2.338 quilômetros de diâmetro. 

“Na minha opinião, Plutão continua sendo um planeta, já que tem estações e atmosfera. É apenas um tipo diferente de planeta. Nem todo cientista concorda com isso, mas a ciência não é uma democracia e um fato não é verdade apenas porque a maioria pensa que é”, disse Marc Buie, do Observatório Lowell e um dos cientistas responsáveis pela New Horizons.

Coração. As últimas imagens de Plutão enviadas antes do sobrevoo mostravam detalhes jamais vistos da superfície e de sua principal lua, Caronte. Chamou a atenção uma grande mancha em forma de coração. “Minha previsão era de que encontraríamos algo maravilhoso e de fato encontramos”, disse Alan Stern, pesquisador responsável pela missão.

Agora, os cientistas esperam a análise dos dados que serão recebidos a partir desta quarta-feira, com precisão sem precedentes. “Nossos dados amanhã (quarta) terão resolução dez vezes maior que a das imagens enviadas até agora”, afirmou Stern. “Essas imagens mostraram que Plutão e Caronte são mundos complexos. Há muita coisa acontecendo lá. Nossa equipe está trabalhando o mais rápido que pode para entender a estrutura molecular do gelo na superfície dos objetos, além da idade e características geológicas das crateras”, disse Will Grundy, do Observatório Lowell, e pesquisador da missão.

A espaçonave, equipada com sete instrumentos científicos diferentes, é a mais rápida já lançada e cruzou a órbita de Plutão a quase 50 mil km/h. Após seu lançamento na Flórida, levou apenas nove horas para ultrapassar a órbita da Lua - as missões Apollo até a Lua levaram três dias.

A New Horizons passou perto de Júpiter 13 meses depois, usando a gravidade do planeta gigante para tomar impulso. O “embalo gravitacional” acelerou a espaçonave para mais de 83 mil km/h, fazendo-a economizar três anos e oito meses de viagem. A nave ficou em “hibernação” cerca de dois terços da viagem: foram 18 “sonecas” entre 2007 e 2014, acordando definitivamente em 6 de dezembro de 2014. 

A quantidade de dados obtida pela espaçonave no sobrevoo é tão grande que ela continuará enviando informações por mais 17 meses, enquanto pesquisa outros objetos do Cinturão de Kuiper. A Nasa prevê que a nave tenha sua missão prorrogada para além de 2017. Depois disso, ela poderá seguir para o espaço interestelar, escapando da gravidade do Sol. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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