Navio com carga tóxica é proibido de descarregar no Brasil

Um navio contendo um carregamento de melaço contaminado com o hormônio de crescimento MPA (acetato de medraxyprogesterona), que deveria chegar ao Brasil no próximo dia 14, foi obrigado a retornar à Amsterdã, na Holanda, de onde havia saído, por ter sido proibido de desembarcar no País pelo Ibama. A presença do hormônio, proibido na Holanda desde 1961 e na Europa desde 1989, foi denunciada às autoridades brasileiras e holandesas pelo Greenpeace.Segundo Nilvo Luís Alves da Silva, diretor de Licenciamento e Qualidade Ambiental do Ibama, esse tipo de importação precisa obrigatoriamente ter autorização dos países de origem e destino, com base em declaração da empresa importadora. ?Neste caso, recebemos, na segunda-feira, informação do governo holandês de que a verificação comprovou que o produto não era o declarado, por conter MPA - um hormônio artificial - em índices superiores ao permitido pela Organização Mundial de Saúde, e que o navio teria que retornar. Com isso, o Ibama também cancelou a autorização e comunicou as capitanias dos portos de Pernambuco e Paraíba e a Marinha que o navio não tinha autorização para atracar?, disse.Segundo o Greenpeace, Cuba também estava na rota do navio, mas o país também não permitiu o descarregamento depois de ser alertado pela entidade ambientalista. A fonte do material é uma empresa holandesa, chamada Schuurmans en Van Ginneken, uma das maiores fornecedoras desse tipo de xarope. O carregamento foi vendido para a destilaria Gramane Industrial e Agrícola (Giasa), de Pedro de Fogo, na Paraíba, e seria utilizado para a produção de álcool. ?Não podemos permitir que a Europa, ou qualquer outro país desenvolvido, faça do nosso país uma lata de lixo?, disse John Butcher, coordenador brasileiro da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace.Conforme o ambientalista, um outro carregamento de melaço contaminado de MPA deverá partir da Holanda com destino ao Brasil na próxima semana. ?É inadmissível que os governos da Holanda e do Brasil autorizem esse tipo de carga?, disse Butcher. O diretor do Ibama, porém, afirmou que nenhum navio entra no País sem a autorização do Ibama. ?Se houver outra carga semelhante, vamos verificar?, disse Silva.

Agencia Estado,

10 de abril de 2003 | 16h18

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